Coreia do Norte alerta ONU para não abrir debate sobre naufrágio de navio

Consequências para a segurança da Península Coreana seriam 'muito sérias', diz Pyongyang

Associated Press

09 de junho de 2010 | 10h51

SEUL - A Coreia do Norte enviou nesta quarta-feira, 9, uma carta ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) avisando o órgão para não abrir um debate sobre o afundamento de um navio sul-coreano supostamente causado pelos militares de Pyongyang, informou a agência estatal norte-coreana.

 

Na semana passada a Coreia do Sul oficializou o pedido ao Conselho de Segurança para punir a Coreia do Norte depois que uma investigação internacional apontou Pyongyang como culpada pelo afundamento do Cheonan no Mar Amarelo, quando morreram 46 marinheiros sul-coreanos. Os norte-coreanos negam as acusações e dizem que qualquer punição resultaria em guerra com Seul.

 

Sin Son Ho, representante permanente da Coreia do Norte na ONU, enviou ao presidente do Conselho de Segurança, o mexicano Claude Heller, uma carta na terça-feira dizendo que o órgão não deve abrir um debate sobre os resultados da "unilateralmente forjada" investigação porque isso colocaria em xeque a soberania de Pyongyang, segundo a KCNA.

 

"Ninguém sequer imagina como as consequências seriam sérias" à segurança da Península Coreana se o debate começar, diz a carta, segundo a agência. Sin disse que o Conselho deveria tomar medidas para ajudar a Coreia do Sul e os EUA a aceitar inspetores norte-coreanos para verificar os resultados das investigações, segundo a agência.

 

O afundamento do navio é o primeiro caso de hostilidade entre as Coreias que resultou no acionamento do Conselho de Segurança, embora outros ataques e trocas de tiros tenham ocorrido nos últimos anos. O episódio do navio elevou a tensão entre as duas Coreias, tecnicamente em guerra desde 1950, quando começou a Guerra da Coreia. O conflito nunca foi formalmente encerrado e os dois lados permanecem apenas em trégua, embora haja atritos frequentemente.

 

Outra questão que gera impasse é o programa nuclear norte-coreano, considerado uma ameaça pelo sul. Pyongyang se recusa a retornar à mesa de negociações para abandonar os projetos atômicos e diz que só o fará se a Guerra da Coreia for encerrada formalmente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.