Coreia do Norte alerta que exercícios militares são 'um perigo para a região'

Pyongyang pede que Washington e Seul abandonem manobras e possíveis novas sanções

Associated Press

22 de julho de 2010 | 08h44

HANÓI - O governo da Coreia do Norte avisou os EUA e a Coreia do Sul nesta quinta-feira, 22, para que desistam dos exercícios militares agendados para este fim de semana e abandonem a ideia de impor possíveis novas sanções contra o país sob o risco de colocar toda a região em perigo.

 

O aviso foi dado no momento em que ocorre uma reunião das nações do sudeste da Ásia na capital do Vietnã, Hanói, e acirra as tensões crescentes na região por conta do afundamento de um navio sul coreano que deixou 46 marinheiros mortos. Investigações de Seul apontam a Coreia do Norte como responsável, mas Pyongyang nega qualquer envolvimento.

 

"Em meio a preocupações crescentes por parte da comunidade internacional, a Coreia do Sul e os EUA anunciaram que fariam exercícios navais conjuntos. Tal atitude representa uma grave ameaça para a paz e a segurança não apenas para a Península Coreana, mas também para toda a região", disse Ri Tong-il, porta-voz de Pyongyang, segundo a agência sul-coreana de notícias Yonhap.

 

Na quarta-feira, Washington anunciou que imporia sanções à Coreia do Norte para afetar o programa nuclear deste país. Ri disse que quaisquer novas medidas restritivas violariam uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenando o naufrágio do navio, ma sem responsabilizar os norte-coreanos.

 

"Se os EUA realmente querem a desnuclearização da Península Coreana, devem interromper as atividades nucleares e a imposição de sanções que destroem o ambiente para o diálogo", disse Ri, acrescentando que as sanções "significam o aumento da política hostil de Washington sobre a Coreia do Norte".

 

O governo de Seul afirmou que não se reunirá diretamente com a Coreia do Norte enquanto não houver um pedido de desculpas pelo naufrágio e, embora diplomatas de outros países envolvidos nas negociações nucleares estejam na conferência do Vietnã, os sul-coreanos disseram que mesmo assim a reunião é improvável.

 

Tensões

 

As investigações sobre o naufrágio apontaram os norte-coreanos como responsáveis. A Coreia do Norte, porém, negou as acusações, disse que tudo era "invenção de Seul" e alertou que se o Conselho de Segurança da ONU tomasse qualquer medida que prejudicasse o país, haveria uma resposta militar.

 

O episódio do navio elevou a tensão entre as duas Coreias, tecnicamente em guerra desde 1950, quando começou a Guerra da Coreia. O conflito nunca foi formalmente encerrado e os dois lados permanecem apenas em trégua, embora haja atritos frequentemente.

 

Outra questão que gera impasse é o programa nuclear norte-coreano, considerado uma ameaça pelo sul. Pyongyang se recusa a retornar à mesa de negociações para abandonar os projetos atômicos e diz que só o fará se a Guerra da Coreia for encerrada formalmente.

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