Coréia do Norte ameaça abandonar negoiações nucleares

País quer diálogo bilateral com EUA e reclama de ´pressão´ por desnuclearização

Agências internacionais

13 Julho 2007 | 14h08

A Coréia do Norte ameaçou abandonar as negociações para a suspensão do programa nuclear do país caso os Estados Unidos continuem "pressionando" as autoridades do país, segundo informa uma reportagem da agência Afp nesta sexta-feira, 13. Segundo um comunicado, Pyongyang sugere a abertura de uma rodada de acordos sobre "paz e segurança" bilateral com os EUA, caso contrário, poderia reconsiderar a continuidade de seu programa de enriquecimento de plutônio em Yongbyon. Na declaração, o governo norte-coreano se mostra disposto a iniciar um diálogo "em qualquer lugar e a qualquer momento" sobre "temas destinados a garantir a paz e a segurança" na península. Segundo a Afp, analistas consideram que a Coréia do Norte quer abrir caminhos para negociações futuras para um acordo que ponha fim oficialmente à Guerra da Coréia (1950-1953), que terminou com um armistício mas sem um tratado de paz, o que, tecnicamente, deixou toda a península em estado de guerra. Negociador americano Durante uma visita a Tóquio nesta sexta, o negociador americano para o programa nuclear norte-coreano, Christopher Hill, se mostrou aberto a "ampliar" os pontos de debate com Pyongyang, embora tenha retirado qualquer possibilidade de assinatura de um tratado de paz antes do desligamento dos reatores nucleares. Hill afirmou nesta sexta que espera que a fase inicial do desmantelamento das atividades nucleares norte-coreanas termine ainda este ano. No entanto, o representante americano ressaltou que "a agenda de trabalho é muito ambiciosa", já que foi perdido "muito tempo no primeiro semestre" e agora será preciso "trabalhar duro para conseguir o fechamento definitivo do reator de Yongbyon". Inicialmente, Pyongyang se comprometeu a fechar, em um prazo de 60 dias, o reator de Yongbyon, seu principal complexo nuclear, em troca de receber uma antecipação de 50 mil toneladas de petróleo, que ficaria a cargo da Coréia do Sul. Por acordo, Estados Unidos, Rússia, China, Japão e Coréia do Sul aceitaram enviar ao regime de Kim Jong-il um milhão de toneladas de combustível em troca do desmantelamento completo do programa e das atividades nucleares do país asiático. Após ficar em suspenso durante um ano e meio, quando Washington ordenou o congelamento de contas de titularidade norte-coreana em Macau, no total de US$ 25 milhões, o processo só foi retomado há cerca de um mês, quando o dinheiro foi liberado. Hill, que chegou nesta sexta ao Japão para uma visita de dois dias, se reuniu com Kenichiro Sasae, o negociador japonês para as negociações, com quem concordou com a necessidade de aproveitar o momento de desnuclearização para estabelecer futuras ações. Retomada O representante americano nas negociações disse em entrevista coletiva que os EUA têm ainda a intenção de criar no futuro um fórum ou outro "mecanismo para a segurança da região nordeste da Ásia, assim como avançar paralelamente na pacificação da península coreana". Esta semana foi confirmada a data para a próxima reunião de seis lados, que será realizada em Pequim entre 18 e 19 de julho. Na ocasião, devem ser estabelecidas as medidas necessárias para implementar o acordo de fevereiro. Conforme o tratado, Seul já enviou o primeiro carregamento de petróleo, de 6.200 toneladas, procedente da cidade portuária sul-coreana de Ulsan e que deve chegar às costas da Coréia do Norte já neste sábado. No mesmo dia devem chegar a Pyongyang dez inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), depois de terem sido expulsos do país asiático há quatro anos e meio, com todo o material necessário para supervisionar o processo de fechamento de Yongbyon. Controle O grupo de técnicos da AIEA ficará na Coréia do Norte por duas semanas para instalar e assegurar o funcionamento dos equipamentos que servirão para controlar as atividades nucleares norte-coreanas, e apenas dois membros ficarão permanentemente em Pyongyang. Já Christopher Hill viajará no domingo para a Coréia do Sul para conhecer a posição de Seul antes de viajar para Pequim, onde se reunirá na terça-feira segundo a agência sul-coreana Yonhap, com o representante norte-coreano Kim Kye, e para participar, na quarta-feira, nas negociações nucleares. Mesmo com a animosidade, a Coréia do Norte multiplicará seus esforços para se proteger de um "ataque nuclear dos EUA e de um ataque preventivo" se Washington seguir "pressionando a Coréia do Norte com o pretexto do problema nuclear", afirmou nesta sexta a agência de notícias KCNA. A Coréia do Norte, que em 2006 realizou seu primeiro teste nuclear, afirma constantemente que precisa de armas nucleares para dissuadir os EUA de não derrubar o regime de Pyongyang. Por sua vez, os EUA retiraram suas armas atômicas da Coréia do Sul em 1991, embora ainda mantenham cerca de 29,5 mil soldados na península.

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