Coreia do Norte ameaça atacar se Japão derrubar foguete

A Coreia do Norte, país com armas nucleares, alertou hoje o Japão que uma possível intervenção no programado lançamento de um foguete do regime comunista será considerada um ato de guerra. O governo norte-coreano afirma que colocará em órbita um satélite de telecomunicações entre os dias 4 e 8 de abril. Em caso de interceptação do satélite, o Exército "irá considerar isso como o começo da guerra do Japão, ou o reinício da invasão mais de seis décadas após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e sem piedade destruirá todos os seus meios interceptores e as cidadelas, com os mais poderosos meios possíveis", declarou hoje a Korean Central News, agência estatal de notícias norte-coreana.

AE-AP, Agencia Estado

31 de março de 2009 | 16h51

Os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão acreditam que o país usará o pretexto do lançamento do satélite para na verdade testar uma nova tecnologia de míssil. Os três advertiram que Pyongyang poderá enfrentar sanções sob uma resolução do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que proíbe o país de realizar atividades balísticas.

O Japão enviou dois destróieres com mísseis interceptores Patriot ao Mar do Japão com a ordem de disparar contra qualquer sucata resultante da possível explosão de um foguete. Ao anunciar o lançamento do satélite, a Coreia do Norte afirmou que destroços podem cair sobre a área, no Mar do Japão e no norte japonês. Em 2006, o governo norte-coreano tentou lançar um míssil de longo alcance Taepodong-2, mas o projétil explodiu 40 segundos após o lançamento.

A China, vizinha da Coreia do Norte e frequente aliada ao fechado regime de Pyongyang, continua a apelar a todos os países da região que mostrem calma e "evitem qualquer ação que mais tarde possa complicar a situação", segundo informou o porta-voz da chancelaria chinesa, Qin Gang. Porém, o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, disse que está pronto para pedir punições para a Coreia do Norte no CS da ONU se o país lançar o foguete, que já está na plataforma para o disparo, como detectaram os satélites norte-americanos. "Será crucial para a comunidade internacional tomar uma ação unida."

Armas atômicas

Daniel Pinkston, especialista que vive em Seul e trabalha no think tank - uma espécie de grupo de pensadores - International Crisis Group, que provê análises sobre a Coreia do Norte, afirmou que o regime comunista tem dois armazéns de armas nucleares capazes de equipar o míssil de médio alcance Rodong. O projétil tem autonomia para atingir o Japão. Segundo ele, acredita-se que a Coreia do Norte tenha entre cinco e oito bombas atômicas guardadas.

No entanto, ele ressalta que ainda não está claro se o país tem tecnologia suficiente para reduzir as armas atômicas numa ogiva e carregá-la em um míssil Rodong, que tem autonomia entre 1 mil e 1,5 mil quilômetros. O Serviço de Inteligência Nacional da Coreia do Sul disse não ser capaz de confirmar ou negar as alegações de Pinkston.

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