Coreia do Norte ameaça EUA com 'ações militares práticas'

Exército de Pyongyang diz ter posicionado unidades de artilharia e foguetes contra alvos 'inimigos' na região

PYONGYANG, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2013 | 02h09

A Coreia do Norte voltou ontem a fazer ameaças contra os EUA e a Coreia do Sul, em resposta ao que chamou de complô para atacar Pyongyang, referindo-se aos exercícios militares conjuntos dos dois países. O Comando Supremo do Exército norte-coreano disse que tomará "ações militares práticas" para proteger a soberania nacional e sua liderança e informou ter colocado em posição de combate unidades de artilharia de longo alcance e foguetes estratégicos.

A Coreia do Norte acusa os EUA de estarem se preparando para um ataque contra o país. No dia 8, o jovem líder norte-coreano Kim Jong-un declarou nulo o armistício que pôs fim à Guerra da Coreia, em 1953.

Pyongyang também considera as sanções da ONU, definidas depois do terceiro teste nuclear norte-coreano, em fevereiro, como parte de um complô liderado pelos EUA para derrubar o regime comunista.

"A partir deste momento, o Comando Supremo do Exército Popular Coreano colocará na posição principal de combate todas as unidades de artilharia de campo, que incluem as unidades de artilharia de longo alcance e as unidades de foguetes estratégicos, que têm capacidade de atingir bases dos invasores imperialistas dos EUA no seu território continental, no Havaí e em Guam, assim como todos os alvos inimigos na Coreia do Sul e seus arredores", informou a agência estatal de notícias norte-coreana.

O anúncio foi feito no dia que marca os três anos do naufrágio de um navio de guerra sul-coreano que deixou 46 mortos. Seul responsabiliza a Coreia do Norte pelo afundamento do navio, atingido por um torpedo. Pyongyang nega envolvimento.

O Ministro da Defesa da Coreia do Sul disse não ver sinais de ação militar iminente por parte do vizinho norte-coreano. Apesar das ameaças, analistas não acreditam em um ataque direto de Pyongyang, pelo menos enquanto estiverem em andamento os exercícios militares conjuntos dos EUA e Coreia do Sul, que terminam no dia 30. O temor é de uma ação após essa data.

Sanções. Autoridades americanas disseram que Japão e Austrália planejam impor sanções ao Banco de Comércio Exterior da Coreia do Norte, como parte dos esforços dos EUA e aliados de cortar o financiamento ao programa nuclear norte-coreano. A China, única aliada forte de Pyongyang, pediu novamente moderação ontem. / AP e REUTERS

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