EFE
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Coreia do Norte ameaça fechar fábricas do Sul

Advertência sobre fechamento do complexo industrial de Kaesong, símbolo de cooperação entre os dois países, é feita horas após Pyongyang anunciar ‘estado de guerra’; EUA dizem que estão levando declarações a sério

O Estado de S. Paulo,

30 de março de 2013 | 13h14

SEUL - A Coreia do Norte ameaçou ontem fechar o complexo de fábricas de Kaesong, o maior símbolo de cooperação com a Coreia do Sul, horas após declarar que entrou em “estado de guerra”. A nova ameaça de Pyongyang foi levada a “sério” pelos Estados Unidos, mas teve sua importância reduzida pelo governo de Seul. a Rússia, por sua vez, fez um chamado urgente para que as partes adotem a “máxima responsabilidade” para evitar uma catástrofe.

O comunicado divulgado por Pyongyang também adverte que qualquer provocação militar perto das fronteiras terrestre ou marítima entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul acarretará “um conflito em grande escala e uma guerra nuclear”.

“Em caso de provocação “temerária” dos EUA, as forças norte-coreanas “deverão atacar sem piedade o território continental americano, as bases militares do Pacífico, incluindo Havaí e Guam, e as que se encontram na Coreia do Sul”, declarou o líder Kim Jong-un, citado pela agência de notícias oficial KCNA.

Os EUA declararam de imediato que levaram a “sério” as novas ameaças. “Vimos as informações sobre uma nova declaração não construtiva da Coreia do Norte. Levamos essas ameaças a sério e estamos em contato con nosso aliado sul-coreano”, disse Caitlin Hayden, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca.

Em Seul, o Ministério de Unificação disse que as ameaças do Norte não são novas, mas “um elemento a mais em uma série de ameaças provocadoras”.

Analistas dizem que um conflito em grande escala é extremamente improvável e destacam que a Península Coreana permaneceu tecnicamente em estado de guerra por 60 anos, já que a Guerra da Coreia foi paralisada por um armistício assinado em 1953. No entanto, a Coreia do Norte disse que não acatava mais o armistício, fez contínuas ameaças contra Seul e Washington, incluindo a de lançar um ataque nuclear, apontou seus mísseis contra bases americanas na Coreia do Sul e no Oceano Pacífico, provocando o temor de que um desentendimento entre os dois lados possa levar a um confronto.

O regime norte-coreano informou ontem que fechará a zona industrial que é administrada em conjunto com o Sul perto da militarizada fronteira entre os dois países se o governo de Seul continuar dizendo que o complexo está sendo mantido apenas por dinheiro.

A zona industrial de Kaesong é uma fonte vital de divisa estrangeira para o empobrecido país e centenas de trabalhadores sul-coreanos e veículos cruzam diariamente a fronteira militarizada. “Se o grupo traidor continuar a mencionar que a zona industrial de Kaesong está sendo mantida por dinheiro, ferindo nossa dignidade, ela será fechada sem misericórdia”, indicou um comunicado divulgado pela KCNA. A ameaça de fechar Kaesong pode rapidamente elevar as tensões, pois é considerado um projeto simbólico conduzido pelos países rivais. Também poderá deixar centenas de trabalhadores sul-coreanos presos do lado norte-coreano.

As ameaças da Coreia do Norte são vistas como um esforço para provocar o novo governo sul-coreano, liderado pela presidente Park Geun-hye, e para forçar novas conversações diplomáticas com Washington e obter maiores ofertas de ajuda.

Mas a Rússia pediu ontem a “máxima responsabilidade e moderação” às partes na Península Coreana para evitar que uma escalada de tensão se converta em um conflito armado. “Esperamos que ninguém cruze uma linha depois da qual não haja um retorno”, disse Grigory Logvinov, funcionário da chancelaria russa à agência Interfax. “Naturalmente, não podemos permanecer indiferentes quando uma escalada de tensões ocorre em nossa fronteira oriental”, disse o diplomata. “Estamos preocupados.”

O regime norte-coreano anunciou que estava posicionando seus mísseis contra bases americanas e ordenou a sua forças que permanecessem em alerta, depois que os EUA enviaram dois bombardeiros B-2 à Península Coreana para participar dos exercícios militares com a Coreia do Sul. Os aviões Stealth são capazes de levar armas nucleares e penetrar em território de outros países sem serem detectados por radares. Em meio aos exercícios, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, disse que seu país estava “preparado para enfrentar qualquer eventualidade e defender seu aliado”. / Com agências AP, REUTERS e AFP

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