Coreia do Norte ameaça obstruir acordo nuclear mundial

Regime afirma que pode não apoiar limite da produção de material para bombas atômicas proposto pela ONU

REUTERS

26 de maio de 2009 | 11h54

A Coreia do Norte, irritada com as críticas sul-coreanas e japonesas por seu teste nuclear, afirmou nesta terça-feira, 26, que pode não apoiar iniciativas que tentem limitar a produção de material para bombas atômicas, ameaçando o início das negociações globais sobre o tema.  A Conferência sobre Desarmamento, bancada pela Organização das Nações Unidas (ONU), está avaliando um pacote de medidas em meio a sinais de que o impasse de uma década pode ser superado nas próximas semanas.

 

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O início das negociações por um tratado que proíba a produção de materiais de fissão nuclear para bombas - plutônio e urânio enriquecido - é visto como a principal prioridade da Conferência sobre Desarmamento. Além desse acordo, as conversas também tratariam de um desarmamento nuclear mais amplo e da prevenção de uma corrida armamentista no espaço.

 

Como o fórum toma todas as decisões por consenso, a adoção do pacote exige a aprovação de todos os 65 países-membros. Isso inclui as cinco potências nucleares oficiais - Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos -, Índia, Paquistão, ambos com tecnologia atômica, e Israel, considerado o único país do Oriente Médio a possuir armas nucleares.

O diplomata norte-coreano An Myung Hun rejeitou com raiva as críticas feitas pelas delegações da Coreia do Sul e do Japão sobre o mais recente teste nuclear. Na segunda-feira, ele disse que a explosão subterrânea foi uma "medida de autodefesa". "Essa delegação não pode descartar a probabilidade de que essas declarações possam afetar negativamente a conjuntura positiva na minha capital a respeito de uma decisão preliminar", disse An ao fórum de Genebra.

O embaixador da Coreia do Norte em Genebra, Ri Tcheul, voltou a Pyongyang no fim de semana, de acordo com diplomatas. Eles esperam para breve esclarecimentos sobre a posição do país. "Eles podem obstruir tudo", disse uma fonte diplomática sobre a Coreia do Norte. "Mas eu ainda estou otimista de que nós podemos andar na direção certa."

O encarregado norte-americano Garold Larson foi um dos poucos oradores da sessão desta terça-feira que não se referiram à Coreia do Norte, em um discurso que na opinião de outros diplomatas foi desenhado para proteger um acordo a caminho. Larson declarou que o pacote em negociação é um "documento bem equilibrado que agora tem uma perspectiva sólida de atingir o consenso total," mas que ainda falta ser alcançado o acordo formal.  "Mas estamos perto, e eu estou satisfeito em dizer que os Estados Unidos estão preparados para se juntar ao consenso tão logo ele seja atingido sob o texto atual."

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