Coreia do Norte ameaça retaliar sanções e lança novo míssil

País diz que vai romper armistício na península e volta a desafiar a comunidade internacional com novo projétil

29 de maio de 2009 | 07h34

Algumas horas após a Coreia do Norte prometer nesta sexta-feira, 29, adotar mais medidas de "autodefesa" e romper o armistício em vigor desde 1953 na península coreana se a Organização das Nações Unidas (ONU) punir o regime comunista com mais sanções, um novo míssil de curto alcance foi lançado na costa leste do país, afirmou a agência sul-coreana Yonhap. "Se o Conselho de Segurança da ONU nos provocar, nossas medidas adicionais de autodefesa serão inevitáveis", afirmou o Ministério das Relações Exteriores do país, num comunicado transmitido pelos meios de comunicação oficiais antes do lançamento do míssil. Um oficial sul-coreano confirmou o disparo à CNN, o sexto nesta semana.

 

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Os membros do Conselho estão tentando fechar um acordo sobre novas sanções contra Pyongyang depois de o governo norte-coreano ter assombrado o mundo com a realização de seu segundo teste nuclear, na última segunda-feira. "Quaisquer atos hostis do Conselho de Segurança serão equivalentes à demolição do armistício", disse o Ministério, numa referência ao cessar-fogo que encerrou a Guerra da Coreia (1950-1953).

 

"O mundo logo testemunhará como nosso Exército e nosso povo se levanta contra a opressão e o despotismo do Conselho de Segurança das Nações Unidas e preserva sua dignidade e independência", acrescenta o comunicado. O texto não dá detalhes sobre quais medidas seriam adotadas, mas reitera que o teste nuclear de segunda-feira foi uma "medida de autodefesa".

 

A Guerra da Coreia nunca foi encerrada com um tratado de paz, mas com a assinatura de um armistício entre China, Coreia do Norte e Estados Unidos, este último como representante das Nações Unidas.As autoridades norte-coreanas disseram também que seu segundo teste nuclear foi uma medida de defesa própria como resposta à condenação do Conselho de Segurança da ONU ao lançamento de seu míssil de longo alcance no dia 5 de abril. Pyongyang ainda qualificou de "hipócritas" os cinco representantes permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Rússia, França, China e Reino Unido).

 

Na véspera, o governo de Pyongyang afirmou estar se preparando para um ataque liderado pelos EUA. Segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap, o regime comunista posicionou canhões de artilharia na costa oeste. Os EUA têm 28,5 mil soldados na Coreia do Sul e outros 50 mil no Japão. "Uma pequena escaramuça acidental poderia levar a uma guerra nuclear", alertou o Rodong Sinmun, principal jornal norte-coreano. A Casa Branca, contudo, nega que esteja preparando uma ação militar. A Força Aérea dos EUA informou que enviará nos próximos dias 12 caças F-22 Raptor a sua base de Okinawa, no Japão. Um porta-voz do Pentágono disse, no entanto, que a manobra já estava decidida antes do teste norte-coreano.

 

Sanções

 

As novas advertências do regime comunista acontecem depois de os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança se manifestarem a favor de punir o recente teste nuclear da Coreia do Norte com a imposição de uma nova rodada de sanções.

 

A expectativa é a de que a ONU torne mais rígidas as medidas já em vigor. As novas sanções incluiriam um embargo mais amplo de armas, o congelamento de fundos no exterior de empresas e funcionários norte-coreanos e restrições às operações bancárias e financeiras da Coreia do Norte. Os EUA querem também mais liberdade para inspecionar cargas que entram e saem de barco na Coreia do Norte, mas a China estaria relutante.

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