Coréia do Norte ameaça retirar-se de acordo nuclear com os EUA

Os representantes das Coréias do Norte e do Sul disseram hoje que concluirão com êxito as primeiras conversações em nível ministerial em nove meses, embora o país comunista tenha ameaçado retirar-se de um acordo acertado em 1994 com os EUA, disse o diretor da delegação sul-coreana. Os negociadores das duas Coréias chegaram a um acordo e encarregaram seus ajudantes de elaborarem um comunicado conjunto disse a agência oficial da Coréia do Norte. Os delegados discutiram, entre outros temas, sobre a reunificação das famílias separadas pela guerra de 1950 a 1953. Um analista advertiu que a nação comunista descumpriu muitos acordos anteriores, e que serão necessárias medidas concretas para demonstrar sua sinceridade sobre a melhora de laços com o Ocidente. "Saberemos se a Coréia do Norte cumpre o que diz quando os contatos conosco forem regulares, substanciais e, acima de tudo, cumulativos", escreveu Aidan Foster-Carter, um especialista em assuntos coreanos da universidade britânica de Leeds. Houve discrepâncias no acordo de 1994, pelo qual a Coréia do Norte se comprometeu a suspender seus supostos projetos de armas nucleares em troca de um consórcio internacional encabeçado pelos EUA construir dois reatores nucleares no país comunista. Coréia do Sul, Japão e União Européia também participaram do projeto. A fim de manter o acordo, os EUA devem compensar a perda de eletricidade causada pelo atraso na construção dos dois reatores, já que o encarecimento da eletricidade "criou graves dificuldades para a economia" norte-coreana, disse um porta-voz não identificado da Chancelaria de Pyongyang. A Coréia do Norte, que no passado formulou ameaças similares, rejeitou a exigência americana de abrir suas instalações aos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica. As autoridades de Washington suspeitam que a nação comunista possui plutônio suficiente para fabricar uma ou duas bombas atômicas antes de congelar seu programa. A Coréia do Norte nega a suspeita, mas insiste em que não abrirá suas instalações para inspeção da ONU enquanto a execução do projeto do reator, já com vários anos de atraso, não tiver um progresso significativo. Perto do local do encontro entre representantes norte-coreanos e sul-coreanos, dezenas de manifestantes queimaram uma bandeira norte-coreana. No entanto, os protestos aparentemente não impediram que o encontro ocorresse em um clima agradável e que, segundo os porta-vozes do Norte e do Sul, respectivamente Kim Ryong Song e Rhee Bong-jo, as duas partes mantivessem conversações objetivas, em lugar de discussões. Entre os temas da agenda do encontro, figuraram intercâmbios esportivos, a construção de uma linha ferroviária transfronteiriça e a reunificação de famílias separadas pela guerra.

Agencia Estado,

13 Agosto 2002 | 19h51

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