Coreia do Norte ameaça romper acordos com Coreia do Sul

A Coreia do Norte disse na sexta-feira que está cancelando todos seus acordos com a Coreia do Sul, numa iniciativa que, segundo o primeiro-ministro da Coreia do Sul, pode ter sido tomada para coincidir com a chegada de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos. Analistas disseram que o aumento mais recente na tensão eleva as chances de um choque militar na fronteira fortemente defendida que divide as duas Coreias há mais de meio século. "Não existe maneira de melhorar (as relações) ou esperança de fazê-las voltar ao caminho desejado", teria dito o Comitê para a Reunificação Pacífica da Coreia, segundo a agência de notícias norte-coreana KCNA. "O confronto entre o Norte e o Sul nos campos político e militar foi levado a extremos tais que as relações intercoreanas chegaram à beira de uma guerra." A KCNA também criticou o presidente sul-coreano Lee Myung-back pela nomeação de um novo ministro encarregado das relações na península, dizendo que ele é arquiteto da "política indisfarçada de confronto com a RDPC" (a Coreia do Norte). Nos últimos meses a Coreia do Norte vem lançando avisos repetidos sobre a possibilidade de guerra na península dividida e ameaçando destruir o governo conservador de Seul, que, depois de chegar ao poder um ano atrás, pôs fim a uma década de fluxo grande de ajuda a Pyongyang. A Casa Azul presidencial sul-coreana se ateve a sua política de ignorar em grande medida a retórica que vem do outro lado de uma das fronteiras mais fortemente armadas do mundo, onde 1 milhão de soldados estão estacionados. "Nossa posição é que não há necessidade de reagir imediatamente ou de nos entristecermos ou alegrarmos com cada declaração emitida (pela Coreia do Norte) com alguma motivação política", disse um funcionário presidencial. Falando à Reuters nos bastidores do Fórum Econômico Mundial que está acontecendo em Davos, na Suíça, o primeiro-ministro sul-coreano Han Seung-soo disse esperar que a Coreia do Norte dialogue, em lugar de lançar ameaças. "Esperamos que, em lugar de lançar ameaças desse tipo, a Coreia do Norte venha dialogar conosco sobre questões de nosso interesse mútuo", disse ele. Indagado se o timing das ameaças estaria ligado à chegada de Obama ao poder, o premiê respondeu: "Não sei o que está por trás do raciocínio deles, mas estou certo de que a posse da administração Obama deve ter tido algum impacto sobre o pensamento da Coreia do Norte em relação a questões globais, além da questão da península coreana."

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