KCNA via AFP
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Coreia do Norte anuncia corte de linhas diretas com a Coreia do Sul

Governo de Kim Jong-un acusou autoridades sul-coreanas de permitirem que desertores ferissem a 'dignidade da liderança suprema da Coreia do Norte'

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 20h36

SEUL - A Coreia do Norte disse nesta segunda-feira, 8, que cortará as linhas diretas com a Coreia do Sul, dando um primeiro passo para fechar todos os meios de contato com Seul, informou a agência de notícias estatal KCNA.

Por vários dias, a Coreia do Norte atacou a Coreia do Sul, ameaçando fechar um escritório de ligação inter-coreano e outros projetos se o Sul não impedisse que desertores enviassem panfletos e outros materiais para o Norte.

As principais autoridades do governo na Coreia do Norte, incluindo a irmã do líder Kim Jong-un, Kim Yo-Jong, e Kim Yong-Chol, vice-presidente do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, determinaram "que o trabalho em direção ao Sul deveria mudar completamente para um (trabalho) contra um inimigo ", disse a KCNA.

Como primeiro passo, ao meio-dia da terça-feira, 9, a Coreia do Norte fechará as linhas de comunicação em um escritório de ligação inter-coreano e linhas diretas entre os dois escritórios militares e presidenciais, informou a KCNA.

Os pronunciamentos oficiais marcam um revés nas relações, em meio a esforços para tentar convencer a Coreia do Norte a desistir de seu programa de armas nucleares em troca de alívio nas duras sanções internacionais. As duas Coreias permanecem tecnicamente em guerra porque a Guerra da Coreia terminou com um armistício e não com um tratado de paz.

"Os canais de comunicação regulares são mais necessários durante uma crise e, por esse motivo, a Coreia do Norte os interrompe para criar uma atmosfera de maior risco", disse Daniel Wertz, do Comitê Nacional da Coreia do Norte, com sede nos EUA.

"É uma estratégia muito usada por Pyongyang, mas ainda assim perigosa".

O povo da Coreia do Norte "ficou irritado com o comportamento traiçoeiro e astuto das autoridades sul-coreanas, com as quais ainda temos muitas contas para resolver", disse a KCNA.

O relatório acusou as autoridades sul-coreanas de permitirem irresponsavelmente que desertores ferissem a dignidade da liderança suprema da Coreia do Norte.

"Chegamos à conclusão de que não há necessidade de ficar cara a cara com as autoridades sul-coreanas e não há problema em discutir com elas, pois elas apenas despertaram nosso desânimo", disse a KCNA. /REUTERS

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