Coreia do Norte diz que principal complexo nuclear está em operação

Coreia do Norte diz que principal complexo nuclear está em operação

Declaração marca primeiro reconhecimento desde então de que a central de Yongbyon, que tem sido a fonte de material físsil usado no programa de armas atômicas do país, está operacional

O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 08h37

SEUL  - A Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira, 15, que o principal complexo nuclear do país está em operação e vem trabalhando para melhorar a "qualidade e quantidade" das armas que poderia usar contra os Estados Unidos a "qualquer momento". Os comentários se seguem a uma declaração dos norte-coreanos, em 2013, prometendo reiniciar todas as instalações nucleares, incluindo o principal reator nuclear, em Yongbyon, que tinham sido fechadas.

A declaração marcou o primeiro reconhecimento desde então de que a central, que tem sido a fonte de material físsil usado no programa de armas atômicas do país, está operacional, segundo analistas. Confirma também a avaliação de especialistas de que imagens por satélite haviam mostrado que o local estava pelo menos parcialmente ativo há cerca de dois anos.

O comunicado da imprensa estatal norte-coreana desta terça-feira aumenta o temor de que a isolada nação esteja elevando a pressão de sua ameaça nuclear. Um dia antes, Pyongyang indicou que poderia lançar em breve um foguete de longo alcance. Os Estados Unidos e outros países veem esses lançamentos como testes de tecnologia de mísseis, que poderiam potencialmente ser usados para lançar uma bomba nuclear com capacidade de alcançar o território continental dos EUA.

"Todas as instalações nucleares em Yongbyon, incluindo a usina de enriquecimento de urânio e o reator de 5MW que utiliza grafite como moderador foram reorganizadas, alteradas ou reajustadas, e começaram a operação normal", disse a agência de notícias estatal KCNA, citando declarações do diretor da agência atômica do país.

"Se os EUA e outras forças hostis persistem em buscar sua temerária política hostil em relação à RDPC e se comportarem maliciosamente, a Coreia do Norte está totalmente pronta para lidar com eles com armas nucleares a qualquer hora", afirma a gência. RPDC é a sigla para o nome oficial da Coreia do Norte, a República Popular Democrática da Coreia. O país frequentemente faz ameaças contra os Estados Unidos e a Coreia do Sul.

O programa de armas nucleares da Coreia do Norte é uma de suas principais fontes de alavancagem internacional do país, isolado e empobrecido, e um meio de proteger a ditadura de terceira geração da família Kim. Sob o regime do ditador Kim Jong Un, a Coreia do Norte rejeitou todas as sugestões de Washington, Seul e de outros governos para discutir seu programa de armas atômicas. Os líderes do país dizem precisar de armas atômicas para impedir uma invasão dos EUA e da Coreia do Sul.

Além do reator de 5 megawatts em Yongbyon, que produz plutônio para bombas, a Coreia do Norte tem no local instalações para enriquecer urânio. Não está claro se a Coreia do Norte já possui bombas de urânio, mas analistas ocidentais acreditam que o país já possua até 10 bombas de plutônio. Os especialistas chineses têm estimativas maiores.

Construído nos anos 1980 com o auxílio da União Soviética, o reator Yongbyon é a única fonte de plutônio para o programa de armas no país. Segundo especialistas, imagens de satélite sugerem que o reator não tem operado totalmente bem nos últimos dois anos, com problemas como a dificuldade para garantir oferta de água para resfriamento. Tampouco está claro se o país possui oferta suficiente de barras de combustível para alimentar o reator.

O reator foi ligado e desativado várias vezes ao longo dos últimos anos, geralmente em reação ao nível de aproximação entre a Coreia do Norte e Seul e Washington. Na segunda-feira, o Departamento do Estado dos EUA disse que qualquer novo lançamento de foguete da Coreia do Norte seria uma violação de resoluções da ONU.

Qualquer novo lançamento pode também minar os laços com a Coreia do Sul. No mês passado, as duas Coreias concordaram em permitir a reunião em outubro de famílias separadas pela fronteira compartilhada. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores sul-coreano disse que Seul iria realizar consultas ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas sobre a resposta a um eventual lançamento norte-coreano. / AP e REUTERS 

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