Coréia do Norte celebra 60 anos; Kim ausenta-se e gera boatos

A Coréia do Norte celebrou seus 60 anos deexistência com uma enorme parada militar na terça-feira, nomomento em que o Estado pária dá sinais de estar abandonando umacordo internacional de desarmamento. Analistas, porém, indicaram como intrigante o fato de olíder norte-coreano, Kim Jong-il, não ter participado dascomemorações. As Forças Armadas da Coréia do Sul disseram que os vizinhosdo norte haviam reunido armamentos durante dias a fim deexibi-los na capital do país em um espetáculo ocorrido poucodepois do surgimento de boatos sobre Kim estar gravementedoente. Segundo o maior jornal sul-coreano, o Chosun Ilbo, Kim, 66,que estaria sofrendo de uma doença crônica, desmaiou no mêspassado. A informação teria partido de um membro dos serviçosdiplomáticos da Coréia do Sul que trabalha em Londres. Kim não compareceu à parada militar na qual se exibiramarmamentos, legiões de soldados marchando com passo de pato edezenas de milhares de norte-coreanos gritando palavras deapoio a seu líder em uníssono, segundo mostrou o canal oficialde TV do país, monitorado em Seul. O dirigente, depois de assumir o comando da Coréia doNorte, esteve presente nas paradas pelos aniversários de 50anos e de 55 anos do Estado fundado por seu pai, Kim Il-sung. O estado de saúde de Kim é um dos segredos mais bemguardados da primeira dinastia comunista do mundo, mas o lídernorte-coreano em si, em uma cúpula realizada em outubro de 2007com o presidente da Coréia do Sul, rebateu os boatos sobreestar doente. "Eu me mexo um pouco e isso gera um monte de notícias",disse Kim em um comentário pouco usual. "Parece que eles sãoescritores de ficção e não jornalistas." Os meios de comunicação norte-coreanos registraram pelaúltima vez a aparição de Kim cerca de um mês atrás. Analistas alertaram, no entanto, para o perigo de se darimportância demais às aparições públicas do dirigente, o qualchega a ficar recluso durante meses para então surgir emvisitas a bases militares, fazendas e fábricas, demonstrando,nas palavras da máquina de propaganda da Coréia do Norte, suadevoção incansável pelo Estado comunista. "Ele talvez não tenha desejado aparecer porque a ajudainternacional está diminuindo e o país pode estar enfrentandodificuldades para distribuir presentes a sua população a fim decelebrar o aniversário", disse Shunji Hiraiwa, professor daUniversidade de Shizuoka (Japão).

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