Coréia do Norte concorda com medidas para desarmamento

Representantes das duas Coréias, dos EUA, da Rússia, do Japão e da China assinaram nesta terça-feira, 13, um documento que estabelece os primeiros passos para o encerramento do programa nuclear norte-coreano.O acordo inicial prevê o fechamento do complexo em que está o reator de Yongbyon e a visita de inspetores internacionais ao local, dentro de 60 dias. Além disso, o governo de Pyongyang se disse disposto em cancelar seu programa de armamentos nucleares. Em troca, o país deve receber inicialmente 50 mil toneladas de petróleo bruto ou uma ajuda econômica de igual valor.O plano foi anunciado apenas quatro meses depois da realização de um teste com uma bomba nuclear pelo regime comunista. Caso adote mais medidas rumo à desativação total de seu programa nuclear, a Coréia do Norte deve receber outras 950 mil toneladas de óleo combustível. As próximas etapas, oficializadas por meio do acordo firmado em Pequim, incluem o fornecimento de um inventário completo dos depósitos norte-coreanos de plutônio e o desligamento de todas as instalações nucleares, incluindo os reatores moderados a grafite e as estações de reprocessamento.Mas, apesar do cenário aparente otimista, ainda há certo pessimismo quanto a disposição de Pyongyang em declarar e abandonar todos os seus programas nucleares.Isso porque, em 1994, a Coréia do Norte abandonou uma negociação com os EUA depois de aparentemente nunca relacionar corretamente toda a quantidade de plutônio refinada pelo país. Já em 2002, depois de Pyongyang congelar seu programa de plutônio, Washington acusou o país de possuir um programa secreto de enriquecimento de urânio - o que gerou uma nova crise nas negociações."Neste momento, nós não temos nem um acordo sobre a existência desse programa (de enriquecimento de urânio), mas eu deixei muito claro que precisamos sabe com certeza em que status está essa atividade", disse o negociador americano, Christopher Hill.O acordo, por enquanto, não prevê o fornecimento de 2 mil megawatts de eletricidade por parte da Coréia do Sul, como Seul havia prometido em setembro de 2005. Essa quantidade de energia equivale a aproximadamente US$ 8,55 bilhões de dólares.Os representantes dos seis países envolvidos nas negociações estão reunidos em Pequim, na China, onde discutem a questão nuclear desde a última quinta-feira. Um novo encontro para avaliar os resultados do novo acordo deve acontecer no próximo dia 19 de março.Grupos de trabalhoOs seis representantes envolvidos nas negociações acertaram também a criação de cinco grupos de trabalho, que ficarão responsáveis pelos diferentes aspectos do acordo de desarmamento e pelo cumprimento do cronograma estabelecido.As comissões devem discutir: a desnuclearização da península da Coréia, sob o comando da China; a normalização das relações EUA-Coréia do Norte; a normalização das relações Japão-Coréia do Norte; a cooperação econômica e energética com Pyongyang, sob o comando da Coréia do Sul; um mecanismo para a paz e a estabilidade no nordeste da Ásia, sob comando da Rússia.Relações bilateraisDurante as negociações, os EUA também se comprometeram a iniciar, por meio de um fórum bilateral paralelo, um processo para retirar a Coréia do Norte da sua lista de Estados patrocinadores do terrorismo. As sanções comerciais a Pyongyang também devem ser suspensas.EUA e Coréia do Norte estão tecnicamente em conflito desde a Guerra da Coréia, que, apesar de encerrada em 1953 por meio de um armistício, não resultou em uma declaração de paz. Os países envolvidos nesse armistício devem se reunir em outro fórum para, finalmente, negociar a paz na península coreana.O acordo assinado nesta terça-feira é visto como o primeiro avanço rumo ao desarmamento norte-coreano desde o início das negociações, em 2003. Ao longo dos últimos anos, Pyongyang chegou a boicotar duas vezes as conversas multilaterais.Este texto foi alterado às 18h08 para acréscimo de informações

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