EFE/Kcna
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Coreia do Norte condena estudante americano a 15 anos de trabalhos forçados

Americano de 21 anos foi detido em janeiro ao tentar roubar um item com slogans de propaganda em seu hotel em Pyongyang. Confissão pode ter sido forçada por autoridades norte-coreanas

O Estado de S. Paulo

16 de março de 2016 | 10h08

SEUL - A suprema corte da Coreia do Norte condenou nesta quarta-feira, 16, o estudante americano Otto Warmbier, preso durante visita ao país, a 15 anos de trabalhos forçados por crimes contra o Estado.

Warmbier, estudante de 21 anos da Universidade da Virginia, foi detido em janeiro ao tentar roubar um item com slogans de propaganda em seu hotel em Pyongyang, relatou a mídia norte-coreana.

A Human Rights Watch (HRW), organização internacional não-governamental que defende os direitos humanos, condenou a sentença dada ao estudante. A agência de notícias japonesa Kyodo publicou uma foto de Warmbier sendo levado do tribunal por dois guardas uniformizados.

"A sentença norte-coreana a Otto Warmbier de 15 anos de trabalhos forçados por uma brincadeira de estudante é ultrajante e chocante, e não pode ter permissão para vigorar", disse Phil Robertson, vice-diretor da divisão asiática da HRW. Ele também exigiu que Pyongyang "considere o erro do estudante como um pequeno delito, como na maioria dos países, e o liberte por razões humanitárias".

Warmbier foi condenado 16 dias após ter reconhecido publicamente seu "crime", em uma confissão que pode ter sido forçada pelas autoridades norte-coreanas. Em casos similares anteriores, os réus foram libertados após negociações entre representantes norte-coreanos e americanos.

A Coreia do Norte utilizou em outras ocasiões as detenções de cidadãos americanos para tentar iniciar negociações políticas com Washington, já que os dois países não mantêm relações diplomáticas. A decisão judicial considera que o estudante realizou um ato hostil contra o Estado ao tentar roubar o cartaz com um slogan político de uma área reservada para funcionários do hotel.

Em sua confissão feita em 29 de fevereiro, Warmbier declarou que agiu por ordem de uma igreja protestante de Ohio e com apoio de uma agremiação universitária para "prejudicar a motivação e a ética de trabalho do povo coreano" e "insultar" a Coreia do Norte "em nome do Ocidente".

Ele também afirmou que a CIA (Agência de Inteligência do governo dos EUA) tinha conhecimento de sua "missão" e mencionou um suposto plano de Washington para causar prejuízo à Coreia do Norte por meio da igreja metodista.

A pena de 15 anos de trabalhos forçados é a mesma que foi ditada contra o missionário Kenneth Bae, americano que permaneceu mais tempo retido na Coreia do Norte: mais de 2 anos até sua libertação em novembro de 2014.

O estudante, que tinha entrado como turista, é um dos três cidadãos de países ocidentais atualmente detidos na Coreia do Norte, todos por supostamente cometerem atos contra o regime de Kim Jong-Un. Os outros dois são Hyeon Soo-Lim, um pastor protestante nascido no Canadá condenado a prisão perpétua, e Kim Dong-Chul, um sul-coreano naturalizado americano.

A condenação acontece em um momento de alta tensão entre Coreia do Norte e a comunidade internacional, depois que o país foi alvo de novas sanções em razão dos testes nuclear e de mísseis realizados no início deste ano. Desde então, o regime de Kim Jong-Un reivindicou seu direito soberano ao desenvolvimento de mísseis e de armas nucleares e ameaçou EUA e Coreia do Sul com "ataques preventivos". /EFE, REUTERS e AFP

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