REUTERS/Denis Balibouse
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Coreia do Norte condena sanções da ONU e ameaça Washington

Ministro norte-coreano das Relações Exteriores disse que fará os americanos 'pagarem mil vezes o preço de seu crime' e ressaltou que país não tem intenção de usar armas nucleares contra qualquer nação 'a não ser os EUA'

O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2017 | 08h24
Atualizado 07 Agosto 2017 | 10h20

SEUL - A Coreia do Norte condenou nesta segunda-feira, 7, as novas sanções adotadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o país e ameaçou os EUA com represálias se mantiver a sua política "hostil".

"Cobraremos o preço devido aos EUA pelo seu odioso crime contra a nossa nação e o nosso povo", diz o texto publicado pela agência de notícias estatal norte-coreana KCNA.

No documento, o regime de Kim Jong-un considera que as sanções aprovadas no sábado constituem uma violação da sua soberania e do seu direito ao desenvolvimento. "Faremos uma ação justa e decisiva (contra os EUA) tal e como já advertimos."

Os 15 países do Conselho de Segurança adotaram por unanimidade uma resolução que levou um mês de negociações e resultou em sanções contra a Coreia do Norte que representam cerca de US$ 1 bilhão.

A Coreia do Norte também disse que não negociará sobre sua armas nucleares enquanto o governo americano prosseguir com suas ameaças. "Não vamos colocar nosso (programa) de dissuasão nuclear na mesa de negociações enquanto perdurarem as ameaças dos EUA", afirma o comunicado. "Nunca daremos um passo atrás no fortalecimento de nosso poder nuclear."

Pyongyang ainda afirmou que fará os EUA "pagarem mil vezes o preço de seu crime". A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores norte-coreano, Ri Yong-Ho, que está em Manila, onde acontece um fórum sobre a segurança regional com representantes dos EUA, Rússia, China e outros países da Ásia.

Ri disse que a Coreia do Norte não tem intenção de usar armas nucleares contra qualquer país “a não ser os EUA”. Ele destacou que o único caminho para mudar a situação é se alguma nação se unir a Washington em uma ação contra Pyongyang.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, descartou qualquer possibilidade de diálogo com os norte-coreanos, ao menos de modo imediato, e afirmou que as novas sanções demonstram que o mundo perdeu a paciência com as ambições nucleares do regime de Kim Jong-un.

O chefe da diplomacia americana ressaltou que Washington aceitaria negociar com Pyongyang apenas no caso de uma suspensão de seu programa balístico. "O melhor sinal que a Coreia do Norte pode enviar para dizer que está disposta a dialogar seria parar de lançar mísseis", disse.

Avaliação

Os presidentes da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e dos EUA, Donald Trump, conversaram nesta segunda-feira por telefone e avaliaram positivamente as novas sanções da ONU contra a Coreia do Norte.

Durante a conversa, de quase uma hora de duração, Moon disse a Trump que o pacote aprovado constitui um fato "sem precedentes", segundo um comunicado enviado pelo escritório presidencial sul-coreano. Ele também expressou seu desejo de que este novo conjunto de medidas da ONU possa "funcionar como catalisador para uma mudança de atitude da Coreia do Norte".

Trump considerou, por sua vez, como uma "mudança importante" que tenham sido adotadas estas sanções "contundentes e exaustivas" de maneira unânime.

Tanto Moon como Trump compartilharam a sua "séria preocupação" com os avanços da capacidade balística de Pyongyang e concordaram em cooperar com a comunidade internacional para punir com "mais pressão e sanções" os testes de armas. / EFE e AFP

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