Coreia do Norte confirma detenção de jornalistas dos EUA

Pyongyang afirma que repórteres cruzaram a fronteira ilegalmente e passam por investigação do país

Agência Estado e Associated Press,

21 de março de 2009 | 08h41

A Coreia do Norte confirmou neste sábado, 21, que mantém duas jornalistas norte-americanos presas e acusou as mulheres de "ilegalmente invadirem" seu território. As duas foram detidas em 17 de março, após cruzarem a fronteira com a China, informou a agência Korean Central News. Autoridades estavam investigando a questão, disse a agência, sem dar mais detalhes.

 

A mídia sul-coreana e um missionário sul-coreano identificaram as jornalistas como Laura Ling e Euna Lee, repórteres da Current TV, um órgão de mídia baseado na internet estabelecido no Estado americano da Califórnia e de propriedade do ex-vice-presidente Al Gore. Um porta-voz da Embaixada dos EUA em Seul disse não ter mais informações. Autoridades do Departamento de Estado informaram que Washington está em contato com a Coreia do Norte sobre as prisões. A Secretária de Estado dos EUA, Hillary Rodham Clinton, "está engajada nesta questão neste momento", disse o porta-voz Robert A. Wood a repórteres.

 

Os EUA também informaram que o Norte está disposto a manter um encontro de alto nível para pressionar por uma rápida libertação das jornalistas, relatou o jornal sul-coreano Munhwa Ilbo neste sábado, citando uma fonte do governo sul-coreano não identificada.

 

As duas repórteres estavam na região da fronteira com o câmera Mitch Koss e um guia, como parte de uma reportagem sobre refugiados da Coreia do Norte. As jornalistas seguiam para a cidade chinesa de Yanji, onde planejavam entrevistar uma mulher forçada por traficantes de pessoas a tirar a roupa para clientes online, de acordo com o reverendo Chun Ki-won, do grupo cristão Missão Durihana, sediado em Seul.

 

As repórteres e o câmera seguiam o guia pelo rio congelado Tumen na manhã de terça-feira, quando soldados da Coreia do Norte armados com rifles se aproximaram deles, relatou o jornal sul-coreano Chosun Ilbo, citando ativistas e outras fontes não identificadas. Koss e o guia empurraram os soldados e fugiram em direção à China, mas as duas mulheres foram capturadas. O câmera e o guia posteriormente foram pegos por guardas da fronteira chinesa e enviados ao Escritório de Segurança Pública Chinês. O paradeiro deles permanece incerto.

 

As prisões das jornalistas acontecem em um momento sensível, com a Coreia do Norte planejando lançar para o espaço um foguete equipado com satélite no começo de abril - um lançamento que alguns temem ser uma forma de encobrir testes de tecnologia de míssil. A Coreia do Norte informou ainda neste sábado que planeja fechar duas rotas aéreas que passam por seu território de 4 a 8 de abril, período que determinou para o lançamento. A Coreia também vive um impasse com poderes regionais sobre seu programa nuclear e no começo da semana ordenou cinco grupos dos EUA que distribuem ajuda alimentar no país a deixarem a Coreia do Norte até o final de março.

 

O país isolado repetidas vezes fechou a fronteira sul nos últimos dias e cortou uma linha direta entre as duas Coreias para protestar contra exercícios militares conjuntos dos EUA e da Coreia do Sul. A linha telefônica, a única entre os rivais, foi restabelecida neste sábado.

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