Coréia do Norte constrói base de mísseis de frente para o Japão

A Coréia do Norte construiu numerosas bases de mísseis na costa oriental com a direção de fogo voltada para o Japão e para as instalações militares norte-americanas no país, segundo o instituto de investigação ligado ao governo de Seul. O informe do Instituto de Relações Exteriores e Segurança Nacional, subsidiado pelo Estado sul-coreano, indicou que, desde os armazenamentos e bases subterrâneas construídas nos últimos anos, a Coréia do Norte poderia atacar qualquer cidade do Japão. Cerca de 200 mísseis Rodong, com raio de ação de até 2.200 quilômetros, e 50 SSN-6, que atingem entre 2.500 e quatro mil quilômetros, foram liberados das novas bases. Os engenheiros norte-coreanos também estão construindo duas bases de mísseis nos distritos de Deoksung e Heocheon, na província província de Hamgyong.O informe estabelece que os armazenamentos de mísseis de Heocheon poderiam abrigar os temíveis Taepodong 2, foguetes mais sofisticados e de maior alcance da Coréia do Norte, com raio entre 3.500 e 6.700 quilômetros. Especialistas estimam que essa distância pode chegar até nove mil quilômetros, o que permitiria alcançar facilmente a costa dos Estados Unidos.LançamentosNo último dia 5 de julho, a Coréia do Norte disparou sete mísseis, entre eles um Taepodong 2, que falhou nas primeiras etapas de lançamento. Essas provas, que violaram a moratória de 1999, aumentando a tensão no leste da Ásia, desencadearam na onda de condenações contra o país, inclusive por parte de seus tradicionais aliados, China e Rússia.Segundo fontes governamentais sul-coreanas, a Coréia do Norte possui dois mil mísseis Rodong e 600 do tipo Scud, modelo soviético. Um bom número desses mísseis estão soltos a 50 quilômetros ao norte da zona desmilitarizada que separa as duas Coréias de forma que poderiam devastar em poucos minutos boa parte de Seul."Combinados com as armas nucleares, os mísseis balísticos norte-coreanos dão ao país uma poderosa capacidade de controle", explicou o informe.O estudo acrescenta que "o Norte tem feito todos os esforços possíveis para desenvolver um potencial militar assimétrico no momento em que milhares de cidadãos estão morrendo de fome", referindo-se à fome da década passada, que causou a morte de um a três milhões de pessoas no país.A Coréia do Norte ganha anualmente 150 milhões de dólares na exportação de mísseis, peças de foguetes e tecnologia balística. Entre 1987 e 1992, foram 580 milhões de dólares que entraram nos cofres públicos. Os principais compradores são Irã, Líbia, Síria, Egito, Iêmen e Paquistão

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