Coreia do Norte constrói usina nuclear, diz cientista

A Coreia do Norte está construído uma instalação nova e sofisticada para enriquecimento de urânio, de acordo com o cientista americano Siegfried Hecker. A informação elevou os temores de que o governo norte-coreano esteja aumentando seu programa atômico, apesar da pressão internacional. O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que o enviado especial para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, planeja visitar hoje a Coreia do Sul, o Japão e a China.

AE, Agência Estado

21 de novembro de 2010 | 10h15

Hecker afirmou em um relatório publicado ontem que, durante uma viagem recente ao principal complexo norte-coreano em Yongbyon, ele foi levado para uma instalação onde é feito enriquecimento de urânio em pequena escala industrial. Segundo o cientista, a instalação tem 2 mil centrífugas recém concluídas e o governo disse a ele que está produzindo urânio levemente enriquecido destinado a um novo reator.

Ex-diretor do Laboratório Nuclear de Los Alamos, nos EUA, Hecker regularmente recebe raras informações sobre o secreto programa nuclear da Coreia do Norte. O cientista afirmou que não ficou claro o que o governo norte-coreano ganharia mostrando para ele a instalação até então secreta.

A revelação da área pode ser uma forma de fortalecer a Coreia do Norte enquanto o governo procura transferir poder do líder Kim Jong Il para seu sucessor, provavelmente seu filho. Como a economia norte-coreana está debilitada e o governo dos EUA e de outros países têm apertado as sanções, revelar as centrífugas também poderia ser uma tentativa de forçar a retomada das negociações internacionais sobre um desarmamento nuclear em troca de ajuda.

Relações internacionais

As novas centrífugas fornecem mais uma série de preocupações para o governo do presidente Barack Obama nos EUA, que interrompeu as negociações com a Coreia do Norte depois dos testes nucleares e com mísseis feitos pelos norte-coreanos no ano passado e em seguida à descoberta de que um navio da Coreia do Sul havia afundado em março deste ano após ser atingido por um torpedo do vizinho do norte.

A viagem do enviado especial Bosworth para Coreia do Sul, Japão e China para conversar sobre a Coreia do Norte foi decidida depois que imagens de satélite mostraram que há construções sendo feitas no principal complexo atômico norte-coreano. As imagens, somadas ao relatório de Hecker e ao de outro especialista norte-americano que recentemente visitou Yongbyon, parecem indicar que Pyongyang está mantendo sua promessa de construir um reator de energia nuclear.

O enriquecimento de urânio daria à Coreia do Norte uma segunda opção para produzir bombas atômicas, além do conhecido programa baseado em plutônio. A níveis baixos, o urânio pode ser usado em reatores de energia, mas a níveis mais altos pode ser usado em bombas nucleares. As descobertas de Hecker foram divulgadas primeiramente pelo jornal The New York Times. As informações são da Associated Press.

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