AP Photo/Andrew Medichini
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Coreia do Norte convida papa Francisco a visitar o país, diz Seul

Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, entregará convite de Kim Jong-un ao Pontífice da Igreja Católica na próxima semana, durante encontro no Vaticano; convite ao papa é o primeiro de um líder da Coreia do Norte desde 2000

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2018 | 10h26

SEUL - O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, convidou o papa Francisco para visitar Pyongyang, um gesto concebido para enfatizar os esforços de paz na península coreana, disse o gabinete presidencial da Coreia do Sul nesta terça-feira, 9.

A Coreia do Norte e o Vaticano não têm relações diplomáticas formais. O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, entregará o convite de Kim quando se encontrar com Francisco na semana que vem, durante uma viagem à Europa, disse o porta-voz da Casa Azul sul-coreana, Kim Eui-kyeom.

“O presidente Moon visitará o Vaticano nos dias 17 e 18 de outubro para reafirmar a bênção e o apoio deste à paz e à estabilidade na península coreana”, disse o porta-voz em boletim à imprensa. “Especialmente quando se reunir com o papa Francisco, transmitirá a mensagem do presidente Kim de que o acolherá ardentemente se ele visitar Pyongyang.”

Kim falou a Moon sobre seu desejo de conhecer o papa durante a cúpula do mês passado entre os dois líderes - o líder sul-coreano foi acompanhado pelo arcebispo de seu país Hyginus Kim Hee-joong -, acrescentou o porta-voz, sem detalhar o cronograma. O pontífice disse que quer visitar o Japão no ano que vem.

O Vaticano disse em um comunicado que o papa receberá Moon ao meio-dia do dia 17 de outubro. Um dia antes, na Basílica de São Pedro, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e segundo em comando de Francisco, rezará uma “Missa pela Paz” na península coreana. Moon assistirá à missa, informou o Vaticano.

A Constituição norte-coreana garante a liberdade religiosa, contanto que ela não mine o Estado, mas além de alguns poucos locais de culto sob controle estatal não se permite nenhuma atividade religiosa explícita.

No começo do século 20, antes da divisão da península, Pyongyang era um importante centro religioso, com numerosas igrejas e uma comunidade cristã que era chamada de "Jerusalém da Ásia".

No entanto, o fundador do regime e avô do atual líder, Kim Il-sung, considerava a religião cristã uma ameaça contra seu reino autoritário e a erradicou com execuções e trabalhos forçados nos campos.

Desde então, o regime norte-coreano autorizou as organizações católicas a desenvolver projetos de ajuda em seu território, mas não tem relações diretas com o Vaticano.

Em sua visita à Coreia do Sul em 2014, o papa Francisco fez uma missa especial em Seul dedicada à reunificação coreana.

O convite ao papa é o primeiro de um líder da Coreia do Norte desde 2000. Embora o encontro anterior, proposto pelo pai de Kim, Kim Jong-il, jamais tenha se materializado, o plano para uma visita de Francisco é a iniciativa diplomática mais recente de Pyongyang neste ano.

Kim realizou uma cúpula inédita com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Cingapura em junho e prometeu trabalhar para a desnuclearização da península coreana.

Embora as ações de Kim desde então tenham ficado aquém das exigências de Washington, o governo Trump está se preparando para uma segunda cúpula. / REUTERS E AFP

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