Coreia do Norte corta diálogo militar com Sul

Dizendo que 'a guerra pode começar a qualquer momento', regime anuncia suspensão do último canal direto de comunicação entre inimigos

SEUL, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2013 | 02h11

A Coreia do Norte anunciou ontem a ruptura do último canal de diálogo oficial que restava com o Sul - uma linha telefônica direta entre militares dos dois lados. Segundo Pyongyang, os contatos com Seul não são mais necessários pois "uma guerra pode começar a qualquer momento".

A decisão do regime norte-coreano, que no mês passado realizou mais um teste nuclear, fez crescer a tensão no extremo leste da Ásia. O Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs sanções adicionais a Pyongyang em resposta à detonação subterrânea do artefato atômico e, nas últimas semanas, exercícios militares conjuntos entre sul-coreanos e americanos motivaram protestos da ditadura de Kim Jong-un.

"Nenhuma palavra, apenas armas funcionarão com os EUA e seu fantoche sul-coreano", disse ontem o regime de Pyongyang em um comunicado lido na TV estatal. A Coreia do Norte afirma que a presidente sul-coreana, Park Geun-hye - no cargo há um mês - , está disposta a dar continuidade a uma política de linha dura com o país vizinho.

A linha telefônica era usada para coordenar o cruzamento da fronteira entre as duas Coreias, incluindo a movimentação de trabalhadores do Sul a um complexo industrial no Norte. A fábrica da cidade de Kaesong é tida como o último símbolo da cooperação entre os dois países e, embora fique no território norte-coreano, emprega entre 700 e 850 cidadãos sul-coreanos.

Na última vez em que Pyongyang rompeu os contatos militares, em 2009, os trabalhadores sul-coreanos ficaram presos no outro país por dias. Não existem linhas telefônicas regulares entre as Coreias e, nas últimas semanas, o regime norte-coreano cortou as comunicações com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e com a base das Nações Unidas, operada pelos EUA. Uma autoridade militar norte-coreana afirmou que os contatos militares permanecerão suspensos até Seul "parar com os atos hostis".

Analistas e diplomatas acreditam que os sinais de agressividade que o regime norte-coreano vem emitindo têm um duplo objetivo: de um lado, pressionar a comunidade internacional a negociar e ampliar a ajuda ao país; de outro, consolidar internamente o poder de Kim e garantir-lhe a confiança dos setores militares mais radicais.

A China, principal aliado de Pyongyang, votou a favor das novas sanções do Conselho de Segurança. / REUTERS

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