Coreia do Norte dará resposta militar a ações do Conselho de Segurança

Embaixador de Pyongyang reitera que investigações sobre afundamento de navio são 'invenções'

Reuters

15 de junho de 2010 | 14h39

NOVA YORK - O enviado da Coreia do Norte à Organização das Nações Unidas (ONU) disse nesta terça-feira, 15, que qualquer ação do Conselho de Segurança contra o país por conta do afundamento e um navio sul-coreano será respondido de forma militar.

 

A Coreia do Sul, que acusa Pyongyang de disparar um torpedo contra o Cheonan, o que causou a morte de 46 marinheiros, levou o caso ao Conselho de Segurança neste mês e pediu ao órgão que tome medidas contra "futuras provocações".

 

"Se o Conselho de Segurança divulgar documentos contra nós ou nos condenando ou questionando, então eu, como diplomata, não poderei fazer nada, mas as medidas de resposta serão tomadas pelas forças militares", disse Sin Son-ho, embaixador norte-coreano na ONU.

 

Nesta terça, as delegações da Coreia do Norte e da Coreia do Sul apresentaram suas posições ao Conselho sobre o ocorrido de 26 de março no Mar Amarelo. O presidente do órgão, o mexicano Claude Heller, disse depois das duas reuniões separadas que os membros do Conselho estavam "gravemente preocupados" com o incidente e exigiu que ambos os lados "não cometam atos que possam elevar as tensões na região".

 

Sin, por sua vez, reiterou que a posição de Pyongyang a respeito das acusações do Sul de que o Norte teria provocado o afundamento do navio são "invenções" de Seul. As investigações internacionais conduzidas sobre o incidente apontaram os norte-coreanos como culpados. "Se os sul-coreanos não têm nada a esconder, então não há razão para não aceitarem nosso grupo de investigadores nas inspeções", disse Sin.

 

O afundamento do navio é o primeiro caso de hostilidade entre as Coreias que resultou no acionamento do Conselho de Segurança, embora outros ataques e trocas de tiros tenham ocorrido nos últimos anos. O episódio do navio elevou a tensão entre as duas Coreias, tecnicamente em guerra desde 1950, quando começou a Guerra da Coreia. O conflito nunca foi formalmente encerrado e os dois lados permanecem apenas em trégua, embora haja atritos frequentemente.

 

Outra questão que gera impasse é o programa nuclear norte-coreano, considerado uma ameaça pelo sul. Pyongyang se recusa a retornar à mesa de negociações para abandonar os projetos atômicos e diz que só o fará se a Guerra da Coreia for encerrada formalmente.

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