EFE/EPA/KCNA
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Coreia do Norte desafia EUA com carros blindados, robôs e carvão

Apesar da política de sanções dos americanos, país consegue obter bens por meio de operações sofisticadas

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 05h00

A Coreia do Norte evita as sanções da ONU há meses exportando carvão, areia e petróleo, e importando bens de luxo, incluindo sedãs blindados, álcool e robôs. As conclusões estão em um relatório que ainda deve ser divulgado, que usou imagens de satélite, dados de transportadoras e avaliação de especialistas.

As exportações fornecem dinheiro à Coreia do Norte para continuar desenvolvendo seus programas de armas nucleares e mísseis balísticos, afirmaram os analistas. Segundo eles, as importações de bens de luxo mostrariam que o país pode estar usando esses materiais para copiar programas tecnológicos. 

Conforme o relatório da ONU, a lavagem de dinheiro para manter o regime é feita por meio de sofisticadas operações que envolvem crimes cibernéticos e a transformação dos recursos em criptomoedas.

Segundo o relatório do Painel de Peritos das Nações Unidas, dois sedãs Mercedes blindados foram enviados da Holanda para o Leste da Ásia, em 2018. A investigação da ONU concluiu que os carros pertenciam a empresas italianas. 

Para chegar à Coreia do Norte, esses veículos, que custam pelo menos US$ 500 mil (R$ 2,3 milhões) e são comercializados principalmente para líderes mundiais, passaram por uma rede tortuosa de portos, aparentemente projetados para disfarçar movimentos dos carros, e embarcaram em um navio fantasma de propriedade de um empresário russo, cuja empresa foi acusada de driblar as sanções. 

Foram pelo menos 60 dias de viagem, com uma parada na China. De lá, os veículos foram colocados em um navio de propriedade de um empresário russo, que desligou seu rastreador, até chegar à Coreia do Norte. 

Desde 2016, especialistas em sanções internacionais dizem que o regime norte-coreano usa essas importações para trazer novas tecnologias para seu programa de armas. 

Conforme autoridades americanas, China e Rússia ajudariam o contrabando ilegal. Em dezembro, os governos dos dois países propuseram às Nações Unidas um alívio das sanções. “Os chineses precisam cumprir as sanções contra os norte-coreanos”, disse, no mês passado, Robert O’Brien, consultor de segurança nacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

De acordo com o Royal United Services Institute, um grupo de pesquisa do Reino Unido, as falhas nas sanções vão muito além da importação de bens de luxo. A Coreia do Norte levanta milhões de dólares por meio do contrabando de commodities, principalmente, carvão e petróleo. / NYT

 

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