Coreia do Norte descobre ter 1ª dama

Jovem que vinha aparecendo com líder supremo é identificada como 'a mulher' de Kim Jong-un

O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h04

A imprensa estatal da Coreia do Norte encerrou ontem semanas de especulação sobre a identidade da moça compenetrada vista com o jovem líder supremo Kim Jong-un em vários eventos públicos, anunciando ontem que ela é, de fato, sua mulher.

A TV do regime mostrou Kim participando de uma cerimônia de inauguração de um parque de diversões na capital, Pyongyang, com a mulher, e a identificou como "Camarada Ri Sol-ju, mulher do marechal Kim Jong-un".

Uma estação de rádio estatal norte-coreana também identificou a moça como sendo a mulher de Kim. Não houve comunicados oficiais de quando ocorreu o matrimônio do comandante.

As imagens foram uma importante virada para a Coreia do Norte. Durante o governo do pai de Kim, Kim Jong-il, a maioria dos norte-coreanos comuns nunca viu sua primeira-dama na televisão. Muitos não sabiam seu nome nem o de qualquer filho do líder.

O próprio Kim Jong-un só foi visto pela primeira vez em 2010, depois de ser formalmente apresentado como sucessor do pai.

Nas últimas semanas, a imprensa norte-coreana mostrou a mulher, elegantemente vestida, acompanhando Kim em várias cerimônias de Estado. Ela sorriu calorosamente para as pessoas que saudavam o líder supremo e pareceu à vontade enquanto conversava com velhos generais e dignitários estrangeiros em Pyongyang.

O casal compareceu a um concerto, no dia 6, que teve a presença de Mickey Mouse e de outros personagens da Disney. Mais tarde, visitaram juntos um jardim de infância e prestaram homenagem no mausoléu de Kumsusan, onde estão os restos mortais de King Jong-il, seu pai, de Kim Il-sung, seu avô e fundador da Coreia do Norte.

O jovem líder, que ainda não teria completado 30 anos, assumiu o cargo máximo na Coreia do Norte após a morte de seu pai em dezembro. Ele começou a se projetar recentemente como alguém com autoconfiança suficiente para tentar um estilo de governo próprio. A TV norte-coreana o mostrou erguendo o polegar para um grupo de garotas que cantava a canção tema do emblemático filme Rocky durante o concerto que exibiu Mickey Mouse.

Mãe ou madrasta. A família governante nem sempre foi opaca, mas um véu de privacidade desceu após Kim Jong-il ser designado sucessor de seu pai em meados dos anos 70. Antes disso, por exemplo, a mídia estatal exibira reportagens da vez em que Kim Il-sung e sua mulher, Kim Song-ae, se encontraram como Nicolae Ceausescu, ditador romeno, e com o rei Norodom Sihanouk, do Camboja. Kim Song-ae era madrasta de Kim Jong-il. Mas, depois que Kim Jong-il foi apresentado, a madrasta desapareceu da imprensa, que começou a construir um culto à personalidade em torno de sua mãe, Kim Jong-suk. Ela morreu em 1949 durante um parto, segundo os noticiários da época.

O próprio Kim Jong-il teve pelo menos três esposas conhecidas, mas nenhuma foi identificada como primeira-dama.

Após a ascensão de Kim Jong-un, porém, o regime começou a divulgar informações sobre sua mãe, Ko Young-hee, enaltecendo-a como "mãe" de todos os norte-coreanos e mostrando-a em companhia de Kim Jong-il em várias visitas a fazendas e unidades militares. Ko, que já havia sido uma grande diva na principal companhia de ópera de Pyongyang, teria morrido em 2004 de câncer de mama.

Para analistas, ao revelar o estado civil de Kim Jong-un, a imprensa norte-coreana estava procurando ampliar seu apelo e realçar sua maturidade. "O fato de Kim Jong-un mostrar sua mulher em público agrada aos jovens norte-coreanos, que anseiam por mudança, especialmente as mulheres, que vivem numa sociedade profundamente dominada pelos homens", disse Cheong Seong-chang, analista no Instituto Sejong na Coreia do Sul. Ele disse que as reportagens também serviram para tirar atenção da juventude para a relativa inexperiência do líder.

Cheong ofereceu alguns detalhes, sem revelar suas fontes. Ele disse que o casamento foi celebrado, provavelmente, em 2009 e o casal pode ter tido um filho no ano seguinte. Disse ainda que Ri, de 27 anos, é formada na Universidade Kim Il-sung.

Vídeos da televisão norte-coreana disponíveis no YouTube mostram uma mulher identificada como Ri Sol-ju interpretando uma canção junto com a Orquestra Unhasu da Coreia do Norte. / NYT, TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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