Coréia do Norte desenvolve programa de mísseis desde os anos 80

O programa de mísseis da Coréia do Norte voltou a ser alvo de preocupações nesta terça-feira depois que Pyongyang realizou ao menos cinco testes com projéteis de médio e longo alcance. Entre os mísseis lançados, estaria um Taepondong-2, o mais avançado modelo norte-coreano, com raio de alcance de 5.000 a 6.000 quilômetros, o que coloca o território americano sob ameaça norte-coreana. Há algumas semanas, os serviços de inteligência da Coréia do Sul, Estados Unidos e Japão identificaram atividades indicando que o teste com um míssil do tipo Taepondong-2 estaria sendo preparado. A notícia causou alvoroço na comunidade internacional, e ameaças foram lançadas contra Pyongyang. Diante da possibilidade um teste ou mesmo ataque norte-coreano, os Estados Unidos e seus aliados Coréia do Sul e Japão rapidamente reforçaram seus sistemas de proteção antimísseis. Washington e Tóquio, por exemplo, trabalham em um escudo conjunto, e a Coréia do Sul considera comprar mísseis de defesa americanos SM-2, capazes de interceptar um ataque inimigo.Programa polêmicoO programa de mísseis norte-coreano tem como base a tecnologia Scud, adquirida através da compra de projéteis da extinta União Soviética e do Egito ao longo das décadas de 1960 e 1970.A partir de 1980, o país começou a produzir seus primeiros mísseis Scud-B, desenvolvendo variações do modelo, os Scud-C e Scud-D. No final da década, o país iniciou o projeto Rodong-1, cujos primeiros testes foram realizados em 1993.A partir daí, outros projetos foram desenvolvidos, incluindo o Taepondong-1, um míssil de longo alcance capaz de atingir alvos em um raio de mais de 2.000 quilômetros. O primeiro teste com a tecnologia foi realizado em 1998, com o lançamento de um míssil que sobrevoou o espaço aéreo japonês e caiu no Oceano Pacífico. A ação gerou intensos protestos na comunidade internacional, que colocou a Coréia do Norte em uma moratória para testes com mísseis de longo alcance a partir de 1999.AmeaçasNa segunda-feira, a agência de notícias do regime comunista norte-coreano - um dos mais fechados do mundo - informou que Pyongyang estava preparado para responder a qualquer ataque militar dos EUA com "um ataque aniquilador e uma guerra nuclear". A administração Bush respondeu dizendo que não tem intenções de atacar a Coréia do Norte, mas que está determinada a proteger os EUA caso o país lance um míssil de longo alcance.Ainda na segunda-feira, o subsecretário de estado americano Nicholas Burns advertiu o regime contra o lançamento do míssil, e pediu que o país retornasse as negociações nucleares com os EUA, China, Rússia, Coréia do Sul e Japão, suspensas pela Coréia do Norte.Washington e Pyongyang estão em um impasse sobre o programa nuclear norte-coreano desde 2002. A Coréia do Norte alega ter armamentos nucleares, mas nunca permitiu a confirmação da informação por analistas internacionais.Embora as informações disponíveis sobre as capacidades militares de Pyongyang sejam indefinidas, especialistas duvidam que o regime tenha capacidade para desenvolver ogivas nucleares pequenas o bastante para serem carregadas por seus mísseis de longo alcance.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.