Coréia do Norte destrói torre de usina nuclear

A Coréia do Norte derrubou na sexta-feiraa torre de refrigeração de um reator usado para produzirplutônio, realizando esse gesto simbólico um dia depois de ter,como parte de um acordo internacional, entregue um relatóriodetalhado sobre seu programa atômico. Respondendo a essa rara manobra de abertura vinda dosnorte-coreanos, os EUA começaram a adotar medidas para retirara Coréia do Norte de sua lista de supostos patrocinadores doterrorismo e para divulgar uma declaração levantando as sançõesimpostas por meio da Lei sobre o Comércio com Inimigos. Especialistas, no entanto, afirmam que ainda há dúvidassobre a presença de armas nucleares no território norte-coreanoe sobre a proliferação de armas a partir dali. E as potênciasmundiais ainda precisariam verificar os dados da declaração,responsável por detalhar o montante de plutônio produzido poresse país. Imagens de vídeo mostraram a torre de cerca de 20 metros dealtura sendo derrubada por meio de uma explosão ocorrida em suabase. Ao final, restou da construção, um monte de destroços eferro retorcido. Em sua primeira manifestação desde que entregou orelatório, a Coréia do Norte recebeu com satisfação as manobrasdos norte-americanos para tirá-la da lista negra do terrorismoe convocou os EUA a suspenderem todas as políticas hostisdirecionadas contra o país asiático. "Somente então o processo de desnuclearização poderáavançar sem percalços, seguindo seu curso", disse um porta-vozdo Ministério das Relações Exteriores da Coréia do Nortesegundo a agência de notícias oficial KCNA. "Aquele era um reator ativo. Aquele era um reator queestava fabricando plutônio, que fabricou plutônio suficientepara equipar vários dispositivos, entre os quais a bomba quetestaram em 2006. Por isso, era tão importante que a Coréia doNorte fosse tirada do negócio do plutônio", afirmou asecretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice. Lee Chung-min, professor de relações internacionais naUniversidade Yonsei, em Seul, afirmou: "A questão-chave aqui é,claro, a verificação e o tipo de regime de inspeção que osnorte-coreanos vão permitir". "Uma vez que comecemos a tratar dos detalhes das inspeções,eles tentarão, basicamente, estender o processo pelo máximo detempo possível, sem abrir mão de suas armas nucleares." O presidente dos EUA, George W. Bush, recebeu com umotimismo reservado, na quinta-feira, o relatório vindo daCoréia do Norte, mas advertiu que o país asiático, que testouum artefato nuclear em outubro de 2006, enfrentaria"consequências" se não divulgasse informações sobre seusprogramas atômicos e não continuasse a desmontá-los. Uma vez tirada da lista de países acusados de terrorismo, aCoréia do Norte teria mais acesso a recursos financeiros vindosde fora. Devido ao pequeno tamanho da economia norte-coreana,qualquer expansão do volume de investimentos e de negóciospoderia ter grandes efeitos, disseram especialistas,acrescentando que o acréscimo no faturamento chegaria às mãosda liderança da Coréia do Norte e seria usado para fortalecerainda mais o controle exercido por ela. (Reportagem adicional de Jack Kim em Seul, Susan Cornwellem Kyoto e Matt Spetalnick e Jeremy Pelofsky em Washington)

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