Issei Kato / Reuters
Issei Kato / Reuters

Novo míssil norte-coreano sobrevoa o Japão, após Kim ameaçar ‘afundar’ ilha

Tóquio diz que artefato passou por Hokkaido e caiu no Pacífico, enquanto militares sul-coreanos afirmam que ele teria capacidade de atingir território americano de Guam; general dos EUA acredita que bomba testada no dia 3 era de hidrogênio

O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2017 | 19h21
Atualizado 14 Setembro 2017 | 22h14

SEUL - A Coreia do Norte disparou às 6h57 desta sexta-feira (18h57 de quinta-feira no Brasil) um míssil que, segundo Tóquio, sobrevoou Hokkaido e caiu no Pacífico, cerca de 2 mil quilômetros a leste da ilha japonesa. Militares sul-coreanos disseram que o míssil foi lançado do distrito de Sunan, onde fica o aeroporto de Pyongyang. 

O míssil norte-coreano alcançou uma altitude de 770 km e voou 3,7 mil km, alcance suficiente para atingir o território americano de Guam. Este foi o 15.º míssil lançado pela Coreia do Norte desde o início do ano. O governo americano afirmou que se trata de um artefato de médio alcance e não representa um perigo para seus territórios.

Imediatamente, o governo da Coreia do Sul pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir o novo desafio lançado pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un.

A Coreia do Sul condenou o lançamento de míssil, dizendo que ele foi um sério ato de desafio que ameaça a paz e a segurança internacionais.Disse em um comunicado que está preparada para responder a qualquer ameaça da Coreia do Norte e aperfeiçoará sua capacidade de resposta às provocações de Pyongyang.

O secretário americano de Estado, Rex Tillerson, afirmou que as contínuas provocações somente aprofundam o isolamento econômico e diplomático da Coreia do Norte.

No mês passado, a Coreia do Norte também usou o aeroporto para lançar um míssil de médio alcance, o Hwasong-12, que sobrevoou o norte do Japão. De acordo com Seul, ele percorreu 2,7 mil quilômetros a uma altura máxima de 550 km. 

Na ocasião, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou a Coreia do Norte com uma chuva de “fogo e fúria”. Pyongyang rebateu, prometendo uma salva de mísseis perto da Ilha de Guam, que abriga instalações estratégicas e onde vivem 6 mil soldados dos EUA.

A Coreia do Norte fez o novo lançamento de míssil um dia após ameaçar usar armas nucleares para “afundar” o Japão e reduzir os Estados Unidos a “cinzas e escuridão” por apoiar as sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança contra seu recente teste nuclear.

A agência de notícias estatal KCNA informou que o Comitê da Coreia para a Paz na Ásia-Pacífico, que lida com os laços externos e propaganda da Coreia do Norte, pediu a dissolução do Conselho de Segurança, que chamou de uma “ferramenta do mal” constituída por países “subordinados” que avançam sob ordem dos EUA.

 

O general da Força Aérea, John Hyten, que supervisiona o armamento nuclear dos EUA, disse nesta quinta-feira acreditar que a Coreia do Norte realmente testou uma bomba de hidrogênio no dia 3, cruzando um importante limiar em seus esforços no desenvolvimento de armas. Este foi o sexto teste nuclear e de longe o mais poderoso.

Embora Pyongyang tenha afirmado imediatamente que havia testado com sucesso uma bomba de hidrogênio, os EUA se mostraram reticentes em caracterizar o tipo do artefato. Hyten, chefe do Comando Estratégico dos EUA, no entanto, disse que tinha o dever, como oficial militar responsável por responder ao teste, de presumir que havia sido uma bomba de hidrogênio, com base no tamanho da explosão.

“Eu estou presumindo que foi uma bomba de hidrogênio. Tenho de fazer essa suposição como oficial militar”, disse a um pequeno grupo de repórteres na Base Aérea de Offutt, no Nebraska. “Não sou um cientista nuclear, então eu não posso dizer que foi assim que funcionou. Mas posso dizer que o tamanho que observamos tende a indicar que era uma bomba de hidrogênio”, declarou o general americano. 

Em julho, a Coreia do Norte também deu um importante passo em seu objetivo de desenvolver um míssil capaz de atingir alvos nos EUA e transportar uma ogiva nuclear, ao testar um míssil balístico intercontinental que voou por cerca de 47 minutos e atingiu uma altitude de 3.700 quilômetros antes de cair em águas do Japão. Se tivesse sido lançado em uma trajetória normal, o míssil poderia, em teoria, atingir alvos nas cidades de Denver, no Colorado, e Chicago, em Illinois. / AFP, EFE, REUTERS e AP

 

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