Jung Yeon-je / AFP
Jung Yeon-je / AFP

Coreia do Norte dispara 'projéteis' após propor retomar negociações com EUA

Segundo a agência de notícias ‘Yonhap’, Pyongyang disparou dois ‘projéteis não identificados’, no 1º teste deste tipo desde julho

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2019 | 08h00

SEUL - A Coreia do Norte realizou nesta terça-feira, 10, dois disparos de “projéteis”, um dia após propor a retomada - no fim de setembro - das negociações com os Estados Unidos, paralisadas desde fevereiro, quando Donald Trump e Kim Jong-un fracassaram na tentativa de chegar a um acordo sobre a desnuclearização norte-coreana.

Segundo a agência sul-coreana de notícias Yonhap, que cita fontes militares, Pyongyang disparou dois "projéteis não identificados", no primeiro teste deste tipo desde julho.

Os projéteis seguiram em direção leste sobre o mar a partir da Província de Pyongan do Sul, informaram à Yonhap fontes do Estado-Maior das Forças Armadas sul-coreanas. Nos testes precedentes, os norte-coreanos dispararam mísseis de curto alcance. 

Na véspera, a vice-ministra norte-coreana das Relações Exteriores, Choe Son-hui, havia declarado que "queremos estar frente a frente com os EUA no final de setembro, em uma data e um lugar que podemos concordar".

Assembleia Geral da ONU

O período mencionado por Pyongyang coincide com a Assembleia Geral anual das Nações Unidas, celebrada na última semana de setembro em Nova York e que reúne dirigentes do mundo todo. Ainda não está claro se um encontro entre o negociador americano, Stephen Biegun, e seus homólogos norte-coreanos poderia acontecer na ocasião.

"Sempre digo que se reunir é uma coisa boa", "vamos ver o que acontece", respondeu Trump, ao ser questionado pela imprensa sobre a proposta norte-coreana. "Tenho uma relação muito boa" com Kim, ressaltou.

O Departamento de Estado americano informou que não tem qualquer reunião para anunciar. Entretanto, o governo Trump tem multiplicado os chamados para retomar as negociações.

Pressão por fim de ‘obstáculos’

Biegun, que se reuniu em algumas ocasiões com seus homólogos norte-coreanos desde sua nomeação há quase um ano, pediu na sexta-feira a Pyongyang que deixe de colocar "obstáculos" às negociações, antes que seja tarde demais. 

"Fizemos a Coreia do Norte saber claramente que estamos dispostos a discutir quando nos derem um sinal", repetiu o enviado americano, propondo "lançar um ciclo intensivo de negociações".

Após uma perigosa escalada de tensão, os dois países iniciaram um diálogo inédito depois do encontro histórico entre Trump e Kim em junho de 2018, em Cingapura.

A segunda cúpula, em fevereiro em Hanói, acabou em fracasso: o presidente americano se recusou a suspender mais sanções em troca de um simples início de desarmamento nuclear proposto pelo líder norte-coreano.

Desde então, as negociações estão paralisadas, apesar do anúncio de uma iminente retomada depois que os dois presidentes se reuniram pela terceira vez, em um encontro mais improvisado, no fim de junho, na fronteira intercoreana. / AFP

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