Coreia do Norte diz a ONU que irá produzir bomba de plutônio

Medida é retaliação à condenação por lançamento de foguete; inspetores de agência nuclear foram expulsos

Agências internacionais,

14 de abril de 2009 | 18h04

Depois de expulsar os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Coreia do Norte anunciou ao órgão da ONU que irá retomar a fabricação de uma bomba com alto grau de plutônio, informou o organismo. A decisão de Pyongyang segue a declaração de que abandonaria as conversas entre seis países para seu desarmamento nuclear e que reativaria uma usina capaz de produzir plutônio para bombas, em uma resposta direta à reprovação da ONU ao lançamento de um foguete. 

 

Veja também:

linkHillary: Coreia do Norte deu 'resposta desnecessária'

linkChina mantém discurso conciliador após ameaça norte-coreana

linkGilles Lapouge: Coreia do Norte põe em risco sonho de Obama

video Roberto Godoy analisa a tensão entre Coreia e EUA

lista Conheça o arsenal de mísseis norte-coreano

 

"(A Coreia do Norte) informou hoje os inspetores da AEIA na usina de Yongbyon de que está cancelando imediatamente toda a cooperação com a AEIA", disse em comunicado um porta-voz da agência de inspeções da ONU, Marc Vidricaire. "(O país) requisitou a remoção de todo os equipamentos de vigilância e restrição, e que inspetores da AEIA não terão mais acesso à usina".

 

Vidricaire disse que a pequena equipe de inspetores teve sua saída ordenada do país "o mais rápido possível". A Coreia do Norte disse também à AEIA, órgão da ONU baseado em Viena, que decidiu reativar todas as instalações da usina de Yongbyon e que reiniciaria o reprocesso de combustível para plutônio.

 

O Conselho de Segurança da ONU condenou por unanimidade na segunda-feira o lançamento de um foguete de longo alcance no dia 5 de abril como contravenção ao veto da ONU e exigiu o cumprimento de sanções já existentes contra o país.

 

A Coreia do Norte já havia expulsado monitores da AEIA em setembro, mas os readmitiu em outubro após chegar a acordo com Washington o que resolveu temporariamente as suspeitas sobre seu processo de desnuclearização.

 

REAÇÃO INTERNACIONAL

 

A reação mais dura ao anúncio norte-coreano partiu dos Estados Unidos. A Casa Branca pediu ao

fechado regime norte-coreano que "pare com suas ameaças provocadoras" e respeite a comunidade internacional. Segundo os EUA, com a atitude a Coreia do Norte apenas se isolará mais e

tomou um "passo sério na direção errada."

"Nós pedimos à Coreia do Norte que encerre suas ameaças provocadoras, que respeite a vontade da comunidade internacional e honre seus compromissos e obrigações internacionais", disse Robert Gibbs, secretário de imprensa do presidente dos EUA, Barack Obama.

A China, aliada do regime comunista, pediu à Coreia do Norte que permaneça nas conversações mantidas pelo grupo. "A China espera que todas as partes continuem a avançar as conversações dos seis

países para banir de armas nucleares a Península Coreana", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Jiang Yu. Mesmo assim, a China apoiou a resolução do Conselho de Segurança da ONU.

A Rússia, que também apoiou a resolução, condenou a decisão norte-coreana. O chanceler russo, Sergei Lavrov, instou a Coreia do Norte a retomar as conversações "com o objetivo de banir a península Coreana de armas nucleares e encontrar caminhos pacíficos e confiáveis para garantir a segurança de todos os

Estados do nordeste da Ásia". Lavrov disse que a Rússia "deplorou" a atitude da Coreia do Norte.

 

(Matéria atualizada às 20h40)

Tudo o que sabemos sobre:
Coreia do NorteONUplutônio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.