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Kim Do-hun/Yonhap via AP
Kim Do-hun/Yonhap via AP

Coreia do Norte diz que escândalo em Seul é uma 'bomba nuclear' 

Pyongyang criticou com dureza a presidente sul-coreana e qualificou seu governo de 'anormal' e 'estúpido' pelo escândalo político

O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2016 | 18h14

SEUL - A Coreia do Norte criticou nesta terça-feira, 1°, com dureza a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, e qualificou seu governo de "anormal" e "estúpido" pelo grande escândalo suscitado no país após a revelação de que sua amiga e confidente pode ter interferido em assuntos de Estado.

O regime de Kim Jong-un definiu o escândalo como um "horrível caso de corrupção sem precedentes na história da Coreia do Sul, que comoveu os cidadãos em seu conjunto e causou um grande furor", segundo um editorial do jornal Rodong, do regime norte-coreano.

Além disso, afirmou que "é uma clara prova da verdadeira natureza do regime de Park Geun-hye, o mais deformado, anormal e estúpido da sociedade contemporânea".

O caso, batizado na Coreia do Sul como "Choi Soon-sil Gate", foi denominado pelo jornal norte-coreano como a "bomba nuclear Choi Soon-sil" para destacar o forte impacto no país vizinho do maior escândalo político dos últimos anos.

Choi Soon-sil, de 60 anos e amiga íntima da presidente Park, foi detida de forma preventiva na manhã desta terça-feira por supostamente ter tido acesso a documentos confidenciais e intervindo em assuntos de Estado sem ostentar cargo público algum, além de usar sua influência para captar apoios e se apropriar de fundos.

Pyongyang foi além em suas acusações e assegurou que Choi manejava os fios em Seul decidindo até mesmo a nomeação de ministros e, com um suposto grupo secreto de oito mulheres, tomava as decisões do governo em diplomacia e segurança, segundo a peculiar versão do periódico do regime.

Em resposta a essas críticas e acusações, o Ministério da Unificação de Seul pediu à Coreia do Norte que "deixe de se colocar nos assuntos internos da Coreia do Sul" e, ao invés disso, "dedique-se a melhorar as condições de vida de seus cidadãos".

À medida que eram revelados detalhes sobre o caso nos últimos dias, cada vez mais sul-coreanos mostraram indignação pela aparente influência dessa misteriosa mulher nas decisões da chefe de Estado, figura que ostenta um alto poder real no sistema presidencialista sul-coreano.

Ao que parece, teria pesado especialmente o fato de que Choi é filha do falecido Choi Tae-min, fundador da seita "Igreja da Vida Eterna" - um estranho culto que mistura várias religiões - e aparentemente se transformou em mentor de Park após convencê-la de que era capaz de se comunicar com sua mãe assassinada em 1974.

Por esse motivo, meios de comunicação e internautas sul-coreanos qualificaram a influência de Choi sobre Park como "xamânica" - o xamanismo é uma religião ancestral no país que ainda é praticado de forma minoritária - e a aceitação da presidente caiu de mais de 50% a menos de 20%, segundo pesquisas. / EFE

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