Ahn Young-joon/AP
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Coreia do Norte diz que governo Biden deu 'passo errado' após teste de mísseis

País afirmou que EUA revelaram 'hostilidade profunda' e chamou comentários de presidente americano de 'provocação'

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2021 | 23h16

SEUL - A Coreia do Norte disse neste sábado, 27 (horário local, noite de sexta-feira no Brasil) que o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, deu um passo errado e revelou "hostilidade profunda" ao criticar seu teste de mísseis de autodefesa.

Na sexta-feira, o país afirmou ter lançado um novo tipo de míssil balístico tático de curto alcance. Biden disse que o teste violou as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, mas permaneceu aberto à diplomacia com Pyongyang.

Ri Pyong Chol, secretário do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, disse que o teste foi autodefensivo contra ameaças feitas pela Coreia do Sul e pelos Estados Unidos com seus exercícios militares conjuntos e armas avançadas.

"Expressamos nossa profunda apreensão após o chefe do executivo dos EUA acusar o teste regular, exercício do direito de autodefesa do nosso Estado, de ser uma violação das 'resoluções' da ONU e revelar abertamente sua hostilidade profunda", disse Ri em um comunicado divulgado pela agência de notícias oficial da Coreia do Norte KCNA.

Os comentários de Biden foram uma "usurpação indisfarçável do direito de nosso Estado à autodefesa e uma provocação", disse ele, acrescentando que Washington pode enfrentar "algo que não é bom" se continuar a fazer "comentários impensados".

"Não estamos de forma alguma desenvolvendo armas para chamar a atenção de alguém ou influenciar sua política", disse Ri. "Acho que a nova administração dos Estados Unidos obviamente deu o primeiro passo errado."

Ele acusou o governo Biden de "explorar todas as oportunidades" para provocar Pyongyang, classificando a Coreia do Norte como uma "ameaça à segurança".

O teste veio poucos dias depois que o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, prometeu trabalhar para desnuclearizar a Coreia do Norte e criticou seus abusos "sistêmicos e generalizados" de direitos humanos durante uma visita a Seul com o secretário de Defesa Lloyd Austin.

A Coreia do Norte também criticou os exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, que terminaram na última semana, embora eles tenham sido reduzidos para facilitar o reinício das negociações com Pyongyang.

Ri disse que Washington insiste em uma "lógica gangster" para trazer ativos nucleares estratégicos para a Coreia do Sul e testar mísseis balísticos intercontinentais quando for conveniente, mas proibir a Coreia do Norte de testar até mesmo uma arma tática.

"Nós sabemos muito bem o que devemos fazer", disse ele. "Continuaremos a aumentar nosso poder militar".

A Casa Branca, que disse que a revisão da política da Coreia do Norte está nos "estágios finais", não quis comentar. O Departamento de Estado não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Quando questionada anteriormente sobre o lançamento e se isso afetaria a revisão da política, a porta-voz do departamento, Jalina Porter, condenou o teste como "desestabilizador". "Os programas ilegais de mísseis nucleares e balísticos da Coreia do Norte constituem sérias ameaças à paz e segurança internacionais", afirmou em entrevista à imprensa.

Kim Dong-yup, professor da Universidade Kyungnam, em Seul, disse que os comentários de Ri significam que a Coreia do Norte pode aumentar a tensão militar nos próximos meses, desenvolvendo e testando armas avançadas. /REUTERS

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