Coreia do Norte diz que não desistirá de armas nucleares

Em nota, chancelaria afirma que abre mão do armamento se EUA retirarem arsenal atômico da Coreia do Sul

Associated Press e Efe,

13 de janeiro de 2009 | 10h57

A Coreia do Norte afirmou nesta terça-feira, 13, que manterá suas armas nucleares, enquanto os Estados Unidos apoiarem a Coreia do Sul com o arsenal atômico norte-americano. Pyongyang acusa Washington de esconder armas nucleares na Coreia do Sul para um possível ataque à nação comunista. Seul e os EUA negam as acusações. Alguns países negociam para tentar interromper o programa nuclear dos norte-coreanos, porém essas conversas estão em um impasse há meses. O Ministério de Relações Exteriores indicou que pode considerar abrir mão de seu arsenal nuclear se a ameaça americana for retirada e as relações diplomáticas entre os dois países forem restabelecidas. "Não precisaremos de armas atômicas quando as ameaças nucleares dos EUA forem removidas e o guarda-chuva nuclear americano sobre a Coreia do Sul for embora", afirma a nota. O comunicado, divulgado pela agência estatal KCNA (Korean Central News Agency) e monitorada por Seul, foi divulgado uma semana antes do presidente eleito dos EUA, Barack Obama, tomar posse, e em meio aos sinais de que o regime coreano quer manter boas relações com a próxima administração americana. As duas Coreias se enfrentaram em uma guerra entre 1950 e 1953, e o conflito foi encerrado com uma trégua, mas sem qualquer acordo de paz. Os dois países estão tecnicamente em guerra e são divididos por uma fronteira fortemente militarizada. Depois de testar uma bomba nuclear em 2007, o Norte aceitou um pacto proposto por seis nações de ajuda financeira em troca do desarmamento. Entretanto, o processo foi paralisado durante meses por conta das discussões sobre o modo como as inspeções seriam realizadas, já que Pyongyang rejeita os protocolos americanos. Um alto funcionário de Seul viajará esta semana à Coreia do Norte para discutir a possível compra das barras de combustível não usadas e armazenadas no complexo nuclear de Yongbyon, informou a agência de notícias local Yonhap. O diretor-geral de Assuntos Nucleares da Chancelaria sul-coreana, Hwang Joon-koo, deve viajar para Pyongyang nesta quinta-feira, sem que se tenha precisado a data de volta, segundo o Governo. Hwang deve revisar a questão das barras de combustível da usina nuclear de Yongbyon e se reunir com autoridades do regime comunista. Não se descarta um possível encontro com o vice-ministro de Assuntos Exteriores norte-coreano, Kim Gye-kwan, principal negociador de seu país para a questão nuclear. A compra das barras de combustível será a última fase do processo de inabilitação das instalações nucleares de Yongbyon.

Tudo o que sabemos sobre:
Coréia do Norte

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.