EFE/EPA/SOUTH KOREAN PRESIDENTIAL OFFICE
EFE/EPA/SOUTH KOREAN PRESIDENTIAL OFFICE

Trump vai à zona desmilitarizada entre Coreias e espera por Kim

Pyongyang considera oferta de americano interessante, mas não confirma encontro

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2019 | 15h55

SEUL - O presidente americano, Donald Trump, visitará neste domingo, 30, a Zona Desmilitarizada Coreana (DMZ), onde espera ter seu terceiro encontro com o ditador norte-coreano, Kim Jong-un. Depois de fazer um convite pelo Twitter, no sábado, 29, o americano reafirmou seu desejo. Trump desembarcou ontem na Coreia do Sul após participar da reunião de cúpula do G-20 em Osaka, Japão.

A Coreia do Norte indicou que uma reunião como essa seria bem-vinda, mas não confirmou a presença de Kim. “Eu considero esta uma sugestão muito interessante, mas não recebemos nenhuma proposta oficial”, disse Choe Son-hui, primeiro vice-ministro de Relações Exteriores da Coreia do Norte, em um comunicado divulgado pela Agência Coreana Central de Notícias. Ele ainda afirmou  que a reunião, se realizada, seria “outra ocasião significativa para aprofundar ainda mais as relações pessoais entre os dois líderes e promover as relações bilaterais”.

Na noite de sexta-feira, 28, Trump escreveu em seu perfil no Twitter que convidou Kim para apertar as mãos durante a visita do líder americano à Zona Desmilitarizada. “Uma vez lá, se o presidente Kim da Coreia do Norte vir isto aqui, eu o encontraria na Fronteira/DMZ apenas para apertar sua mão e dizer oi!”, disse Trump, explicando depois que a ideia foi no calor do momento: “Acabei de pensar nisso esta manhã”. Segundo a imprensa americana, seus assessores foram pegos de surpresa. “Se ele estiver lá, vamos nos ver por dois minutos, é tudo que podemos, mas tudo bem”, disse, acrescentando que ele e Kim “se dão muito bem”.

Segundo o site The Hill, embora o convite tenha sido repentino, Trump havia comentado antes de voar para o Japão que desejava aproveitar a viagem para ver Kim. A Casa Branca pediu que seu comentário não fosse divulgado por questões de segurança.

Se ambos se encontrarem, será a terceira vez em pouco mais de um ano, e apenas quatro meses depois de a segunda cúpula entre eles terminar sem qualquer progresso na tentativa americana de pressionar a Coreia do Norte a abrir mão de armas nucleares.

Outro encontro poderia trazer riscos para os dois. Kim ficou constrangido ao final das negociações em Hanói depois de ter feito uma viagem de trem de 70 horas para se encontrar com Trump. Kim disse que os EUA deveriam apresentar “um novo cálculo” antes de retornar às negociações formais sobre a questão nuclear. Uma nova reunião deve aumentar a pressão a Kim para que transforme a relação pessoal com o republicano em algo tangível. 

Quando Trump planejou uma viagem para a DMZ durante uma visita a Seul em 2017, seus assessores fizeram grandes esforços para mantê-la em segredo. Ela não foi incluída em sua agenda oficial, e a secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, notificou os repórteres que viajavam com Trump sobre o plano pouco antes de sua partida, segurando um pedaço de papel com as letras DMZ escritas nele. Por fim, um forte nevoeiro forçou o helicóptero de Trump a voltar.

Mas Trump gosta de ser imprevisível e deixou claro nos últimos dias que está ansioso para reiniciar as negociações destinadas a persuadir a Coreia do Norte a eliminar seu arsenal nuclear. Ele disse a repórteres que o tweet de sábado foi espontâneo. "Eu só pensei nisso esta manhã", disse.

Trump voou para Seul no final da tarde de sábado e jantaria com o presidente Moon Jae-in, um forte defensor da diplomacia com a Coreia do Norte. Sua visita a DMZ ocorreria no domingo antes de retornar a Washington.

O escritório de Moon divulgou uma declaração apoiando mais contato com Kim sem confirmar qualquer reunião neste final de semana. "Nada foi decidido, mas nossa posição permanece inalterada de que queremos que o diálogo aconteça entre a Coreia do Norte e os EUA", disse o comunicado.Especialistas da região disseram que o talento de Trump para o teatro não foi um substituto para uma estratégia séria de negociação. "Mas a Coreia do Norte declarou claramente que só vai desnuclearizar parte de seu programa de armas e isso não mudará nada disso, mesmo que deem as mãos", disse Michael Green, conselheiro do presidente George W. Bush na Ásia.

Se Trump e Kim se encontrarem, seria a terceira vez em pouco mais de um ano, e apenas quatro meses depois de a segunda cúpula entre eles terminar sem qualquer progresso na tentativa americana de pressionar a Coreia do Norte a abrir mão de armas nucleares

Outro encontro poderia trazer riscos para os dois. Kim ficou constrangido ao final das negociações em Hanói depois de ter feito uma viagem de trem de 70 horas para se encontrar com Trump. Kim disse que os EUA deveriam apresentar “um novo cálculo” antes de retornar às negociações formais sobre a questão nuclear. Um novo encontro deve aumentar a pressão a Kim para que transforme a relação pessoal com o republicano em algo tangível. / NYT, REUTERS e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.