Coreia do Norte diz que retomará seu programa nuclear

Após condenação da ONU, Pyongyang afirma que abandonará negociações sobre fim de programa atômico

Agências internacionais,

14 de abril de 2009 | 03h18

Em um comunicado divulgado horas depois de o Conselho de Segurança da ONU ter condenado o lançamento de um foguete no início deste mês, o governo da Coreia do Norte afirmou nesta terça-feira, 14, que retomará seu programa nuclear e não participará mais de negociações sobre o desmantelamento de suas instalações atômicas.

 

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"A Coreia do Norte rejeita a ação injusta do Conselho de Segurança da ONU, que deliberadamente infringe a soberania do país e agride a dignidade do povo coreano", diz o comunicado do Ministério das Relações Exteriores do país divulgado pela agência estatal KCNA. Segundo a BBC, o documento ainda afirma que o país não participará mais das negociações de seis partes (que ainda incluem Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Rússia e Japão) sobre o fim de seu programa atômico e que irá restaurar suas instalações nucleares.

 

"Nós nunca mais tomaremos parte nestas conversações e não ficaremos vinculados a qualquer acordo alcançado nelas", afirmou o comunicado, acrescentando que o país "irá reforçar seu programa de armas nucleares por todos os meios". "A Coreia do Norte irá reforçar de todas as maneiras seu poder nuclear para autodefesa. Também tomará medidas para restaurar o estado original de suas instalações nucleares que foram desmanteladas por causa do acordo de seis partes", diz o documento. Pyongyang estava desativando suas instalações em Yongbyon, que produzia plutônio de qualidade militar, como parte de um acordo com o grupo das seis potências em fevereiro 2007.

Horas antes, nesta segunda-feira, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou de modo unânime o lançamento de um foguete, no último dia 5 de abril, pela Coreia do Norte. Em um comunicado conjunto, os 15 membros do CS afirmaram ainda que irão reforçar as sanções contra a Coreia do Norte por causa do lançamento - que EUA, Japão e Coreia do Sul suspeitam que, na verdade, tenha sido o teste de um míssil de longo-alcance.

O governo de Pyongyang, no entanto, afirma que o lançamento tinha "fins pacíficos" e que o foguete carregava um satélite de telecomunicações. O fato de o CS ter lançado um comunicado conjunto - apesar das restrições anteriormente manifestadas por China e Rússia - aumentou as esperanças de que as negociações de seis partes pudessem ser retomadas, o que foi rejeitado agora por Pyongyang.

Mesmo assim, segundo o correspondente da BBC em Seul, John Sudworth, apesar de o comunicado de Pyongyang ser forte, já houve outros contratempos nas negociações sobre o programa nuclear norte-coreano nos últimos seis anos. Segundo Sudworth, muitos membros da comunidade diplomática acreditam que ainda há espaço para negociações e que a Coreia do Norte ainda pode ser persuadida a voltar a elas.

 

Matéria atualizada às 7h30.

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