Coréia do Norte diz que vai reativar reator nuclear

Governo afirma que medida é reação a descumprimento de acordo pelos EUA para desmantelamento nuclear

Agências internacionais,

19 de setembro de 2008 | 08h02

A Coréia do Norte disse nesta sexta-feira, 19, que não quer ser retirada do eixo do mal - lista de nações que os Estados Unidos acreditam que apóiam o terrorismo - e que está preparando a reativação de seu reator nuclear em Yongbyon, segundo declarações de um diplomata norte-coreano. A saída da lista era uma das compensações oferecidas pelo governo americano para o desarmamento nuclear do país, e a renúncia coreana em não ser desclassificado por Washington mostra que Pyongyang está se retirando do acordo de desmantelamento.   Veja também: Coréia do Norte não tornou usina nuclear operacional, dizem EUA   Hyun Hak-bong disse que a decisão foi motivada pela "falta de comprometimento dos Estados Unidos" em cumprir sua parte no acordo firmado em julho entre seis países para o desmantelamento do programa nuclear da Coréia do Norte. Segundo a BBC, o diplomata não deu detalhes sobre quando o reator voltará a operar, limitando-se a dizer aos jornalistas que "em breve saberão". Em junho, a Coréia do Norte submeteu, com grande atraso, um relatório revelando detalhes de suas instalações nucleares - esperando, em contrapartida, a remoção imediata de seu nome da lista americana de países que apóiam o terrorismo. Entretanto, os Estados Unidos afirmaram que isso não seria possível até que o país concordasse com inspeções para verificar a veracidade do que havia revelado.   "A Coréia do Norte não deseja ser retirada da lista de patrocinadores do terrorismo nem espera que isso aconteça", afirmou um oficial para a agência de notícias oficial norte-coreana KCNA citado como porta-voz do Ministério de Relações Exteriores. Analistas afirmam que o país pode estar tentando pressionar o presidente George W. Bush para alcançar uma solução diplomática antes do fim de seu mandato ou postergando a possibilidade de um acordo mais vantajoso com o próximo presidente americano.   O grupo dos seis países que negociam a questão nuclear norte-coreana - Estados Unidos, China, Rússia, Japão e as duas Coréias - ainda não chegou a um entendimento sobre a melhor maneira de verificar essas informações. Hyun Hak-bong disse que o governo já havia desmantelado até 90% de sua capacidade de processar plutônio em Yongbyon, mas que diante do impasse nas negociações com os EUA, "interromperá o processo para restaurar as operações do reator a seu status original".   O diplomata norte-coreano ainda afirmou que os Estados Unidos "não devem forçar" uma inspeção para verificar o processo de desarmamento nuclear ao qual o país se comprometeu. "Os Estados Unidos estão exigindo que aceitemos demandas que não foram negociadas no acordo. Eles querem chegar em qualquer lugar, em qualquer hora e coletar amostras e examinar equipamentos", disse ele. "Isto significa que eles pretendem forçar as inspeções".   Ainda segundo Hak-bong, forçar Pyongyang a permitir um "método de inspeção semelhante a que se faz com um ladrão", em nome dos padrões internacionais, "exacerbará as tensões". As declarações do diplomata foram feitas a jornalistas antes de uma reunião entre autoridades norte e sul-coreanas para discutir o envio de energia para a Coréia do Norte.   O representante norte-coreano qualificou como "um sofisma de gente ruim" as especulações sobre o suposto mal estado de saúde do líder norte-coreano, Kim Jong-il, quem não é visto em público desde o dia 14 de agosto.

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