Coréia do Norte diz ter divulgado balanço de programa nuclear

Imprensa acusa EUA de planejar guerra nuclear; ato de apoio ao governo de Pyongyang reúne 100 mil

Associated Press, REUTERS

04 de janeiro de 2008 | 14h08

A Coréia do Norte afirmou nesta sexta-feira, 4, que ofereceu um balanço minucioso de seu programa de armas nucleares conforme previa um acordo de desarmamento firmado com outros países. Ao mesmo tempo, em um outro comunicado, o país prometeu intensificar as medidas de "dissuasão de guerra". "Já elaboramos em novembro um relatório sobre as atividades nucleares e já notificamos os EUA a esse respeito", declarou um porta-voz da chancelaria norte-coreana, segundo a agência de notícias KCNA, do país asiático. Autoridades dos Estados Unidos disseram, contudo, que não receberam tal documento e que esperam que a Coréia do Norte entregue um "em breve". O Departamento de Estado norte-americano havia dito alguns dias atrás que a Coréia do Norte não cumpriu o prazo concluído no final de 2007 para fornecer uma lista completa de suas atividades envolvendo armas atômicas, conforme requerido em um acordo firmado entre seis países (as duas Coréias, os EUA, a Rússia, a China e o Japão). Pelo acordo, a Coréia do Norte também se comprometeu em desmantelar sua usina de produção de plutônio, material usado na fabricação de armas. Em troca, o país receberá 1 milhão de toneladas de petróleo pesado ou o equivalente em ajuda e será retirado da lista norte-americana de países acusados de patrocinar o terrorismo.  Guerra nuclear A mídia estatal da Coréia do Norte acusou os Estados Unidos de estarem planejando uma guerra nuclear e advertiu que a nação comunista irá reforçar suas estratégias para desencorajar ataques, enquanto 100 mil pessoas participavam de uma manifestação de apoio ao governo na capital. O principal jornal do país, Rodong Sinmun, afirmou que os EUA, sob suas "estratégias agressivas", estão modernizando seu arsenal nuclear, mas não fez menção ao não cumprimento de uma data alvo para o país relatar todos seus programas nucleares respeitando um acordo internacional. "Nossa república continuará reforçando suas dissuasões de guerra em resposta à intensificação dos movimentos de guerra nuclear dos EUA", afirmou o jornal. A Coréia do Norte muitas vezes refere-se às suas armas nucleares como "dissuasão", "dissuasão de guerra" ou "dissuasão nuclear. Em Pyongyang, cerca de 100 mil norte-coreanos saíram às ruas em apoio ao governo e às metas políticas para o ano que foram divulgadas na mensagem de ano-novo. A mensagem, divulgada em forma de editorial conjunto nos principais jornais do país no primeiro do ano, pedia aos EUA para porem fim à sua política "hostil" para com a nação comunista, previa um forte crescimento econômico e defendia o estreitamento de relações comerciais com a Coréia do Sul. O sistema de partido único da Coréia do Norte não permite oposição política e manifestações em massa são freqüentemente usadas para reforçar a lealdade ao líder Kim Jong Il e a seu governo. O enviado nuclear americano Christopher Hill planeja discutir o impasse na semana que vem durante visitas ao Japão, Coréia do Sul, China e Rússia. Outro jornal norte-coreano, Minju Joson, escreveu que a desativação foi desacelerada porque os EUA postergaram o cumprimento de sua parte no acordo. Um oficial norte-coreano fez a mesma alegação na semana passada. "Isso mostra que depende dos EUA e de países relacionados se o objetivo da desnuclearização da península Coreana será alcançado", afirmou o jornal num comentário.

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