AFP PHOTO/KCNA VIA KNS
AFP PHOTO/KCNA VIA KNS

Em resposta a teste da Coreia do Norte, EUA e Seul testam míssil balístico

Exército americano também anunciou o lançamento de mísseis táticos superfície-superfície nas águas da Costa Leste sul-coreana

O Estado de S.Paulo

04 Julho 2017 | 03h25
Atualizado 04 Julho 2017 | 20h35

WASHINGTON - Como resposta ao teste de míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) da Coreia do Norte, Estados Unidos e Coreia do Sul realizaram um teste conjunto de míssil balístico no Mar do Leste (Mar do Japão). Segundo o Exército americano, esse teste afirma o "rígido compromisso" americano em defender a Coreia do Sul das "ações ilegais" de Pyongyang. O Exército também anunciou o lançamento de mísseis táticos superfície-superfície nas águas da Costa Leste sul-coreana.

De acordo com a agência de notícias estatal da Coreia do Norte, o míssil balístico intercontinental testado pelo país tem a capacidade de carregar uma ogiva nuclear de grande porte. O regime norte-coreano ainda ameaçou Washington, ao comentar que tem como objetivo desenvolver um ICBM capaz de atingir os EUA ainda neste ano e não irá negociar a menos que os EUA amenizem as ameaças.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, confirmou nesta terça-feira, 4, que o míssil testado pela Coreia do Norte era um míssil balístico intercontinental e o lançamento representa "uma nova escalada de ameaça aos EUA, aos nossos aliados e parceiros, à região e ao mundo".

O novo míssil voou por mais tempo do que qualquer outro de teste norte-coreano feito até hoje, totalizando 37 minutos, o que significa que o regime de Kim Jong-un teria capacidade de atingir o Alasca.

Esta é a primeira vez que o governo em Pyongyang consegue lançar um míssil com essas características. O Pentágono continua investigando a ação para dar uma análise mais detalhada do teste, o 11.º deste ano.

A Coreia do Norte informara que seu teste de míssil balístico intercontinental tinha sido um sucesso. De acordo com um boletim de notícias especial da emissora estatal norte-coreana, o lançamento "histórico" do míssil Hwasong-14 foi supervisionado pelo líder do país, Kim Jong-un.

O míssil alcançou uma altitude de 2.802 km e sobrevoou uma distância de 933 km, segundo a emissora. O Ministério de Defesa do Japão calculou que o míssil "alcançou uma altitude que superou 2,5 mil km, voou durante cerca de 40 minutos, percorreu 900 km e caiu no Mar do Japão (Mar do Leste)".

Em uma reação ao lançamento, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse no Twitter: "Este cara não tem algo melhor para fazer com sua vida?", em referência a Kim. "É difícil acreditar que Japão e Coreia do Sul vão suportar isto por muito mais tempo", completou.

Aliada histórica do regime norte-coreano, a China pediu "contenção" a todas as partes e esforços para superar de forma pacífica as tensões. O presidente chinês, Xi Jinping, que viajou na véspera a Moscou, concordou com o colega russo, Vladimir Putin, sobre a necessidade de "diálogo e negociação", informou a agência de notícias estatal Xinhua.

Potência nuclear. A Coreia do Norte é uma "potência nuclear forte" dotada de um "ICBM muito poderoso que pode alcançar qualquer lugar do mundo", anunciou a televisão estatal do país. "O teste com êxito de um ICBM é um avanço maior na história de nossa república", completou a emissora.

O canal exibiu imagens da ordem de Kim Jong-un, com data de segunda-feira e escrita a mão, na qual o dirigente determina o teste.

A Coreia do Norte, que dispõe de um pequeno arsenal atômico, tenta produzir mísseis ICBM para alcançar o território americano. Pyongyang justifica os programas com a ameaça representada pelos EUA, país que mantém 28 mil soldados em bases na Coreia do Sul.

A escalada de tensão, no Dia da Independência dos EUA, ocorre uma semana depois de um encontro de Trump com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, para examinar a "ameaça" do regime comunista.

David Wright, analista da ONG Union of Concerned Scientists, afirmou que a Coreia do Norte conseguiu aumentar o alcance de seus mísseis e este último foguete, por suas características, poderia ter atingido "qualquer ponto do Alasca". 

Após o encontro com o presidente sul-coreano na semana passada em Washington, Trump afirmou que a "ameaça" norte-coreana exigia uma "resposta firme".

Pyongyang lançou vários mísseis desde a chegada de Moon ao poder. Ele é favorável à adoção de mais sanções para impedir que o país vizinho desenvolva seu arsenal nuclear, mas também não fechou a porta ao diálogo. / AFP, REUTERS, EFE e AP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.