AFP PHOTO / NICHOLAS KAMM
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Trump ameaça Coreia do Norte com ‘fogo e fúria’ após novo avanço nuclear

Serviços de inteligência dos EUA identificam que país asiático conseguiu miniaturizar uma ogiva para acoplá-la a um míssil intercontinental, etapa-chave no processo para se tornar uma potência atômica plena, revela o ‘Washington Post’

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2017 | 16h41
Atualizado 08 Agosto 2017 | 22h53

WASHINGTON - A Coreia do Norte enfrentará “fogo e fúria como o mundo nunca viu” se continuar com suas ameaças aos EUA, afirmou nesta terça-feira, 8, o presidente americano, Donald Trump. A ameaça foi feita após a revelação, pelo Washington Post, de que o regime de Kim Jong-un conseguiu miniaturizar uma ogiva nuclear, tornando-se capaz de acoplá-la a um míssil intercontinental. 

O jornal cita um relatório dos setores de inteligência dos EUA como fonte da informação, segundo o qual a fabricação de uma ogiva em miniatura que pode ser transportada por mísseis é uma etapa-chave no caminho para se tornar uma potência nuclear. 

A análise, concluída no mês passado pela Agência de Inteligência da Defesa, foi feita após outra estimativa da inteligência aumentando o cálculo oficial do número total de bombas do arsenal atômico norte-coreano. No mês passado, os EUA calcularam que mais de 60 bombas atômicas estão hoje em mãos do líder norte-coreano, Kim Jong-un. Mas, segundo alguns analistas independentes, esse número é bem menor.

Essas conclusões aumentam as preocupações sobre a ameaça militar norte-coreana, que vem avançando mais rapidamente do que o previsto. E no mês passado, autoridades americanas afirmaram que Pyongyang também superou as expectativas, fabricando um míssil balístico intercontinental (ICBM) capaz de atingir cidades do continente americano.

Coreia do Norte ameaçou hoje, em resposta “às provocações militares imprudentes”, lançar mísseis Hwasong-12 de médio a longo alcance contra Guam, para conter as bases que os EUA mantêm no território. A execução desse plano oferecerá, de acordo com o regime norte-coreano, “uma ocasião para que os ianques sejam os primeiros a experimentar o poder de nossas armas estratégicas”, as quais foram fabricadas “com o sangue e o suor”.

O Ministério da Defesa do Japão também afirmou que Pyongyang obteve a ogiva em miniatura. Não se sabe ainda se o regime testou com sucesso o artefato, apesar de as autoridades terem afirmado que sim. 

No domingo, China e Rússia se uniram aos outros membros do Conselho de Segurança da ONU, aprovando novas sanções econômicas que incluíram uma proibição de exportações da Coreia do Norte.

Dimensão. Determinar a composição exata do arsenal nuclear da Coreia do Norte tem sido um desafio para os profissionais da inteligência diante de um regime extremamente recluso. Os cientistas norte-coreanos realizaram cinco testes nucleares desde 2006, o último deles com a detonação de 20 a 30 quilotons (um quiloton equivale a mil toneladas de TNT), em setembro de 2016, que produziram uma explosão duas vezes mais violenta do que a bomba lançada sobre Hiroshima, no Japão, em 1945. 

Mas fabricar uma ogiva nuclear compacta que possa ser inserida num míssil é algo difícil e, segundo analistas, é uma técnica que ainda está longe de ser dominada pela Coreia do Norte. 

No ano passado, a mídia estatal do país exibiu um dispositivo esférico que porta-vozes do governo descreveram como uma ogiva nuclear em miniatura, mas não ficou claro se era uma bomba de fato. Em setembro, autoridades norte-coreanas afirmaram ter sido um sucesso a detonação, a título de teste, de uma ogiva projetada para ser transportada por um míssil.

Kim tem proclamado repetidamente sua intenção de armazenar uma frota de mísseis balísticos intercontinentais armados com ogivas nucleares para garantir a sobrevivência do regime norte-coreano. E um grande passo foi dado no mês passado com os primeiros testes bem-sucedidos de um míssil com alcance intercontinental. 

“O que de início parecia uma crise de mísseis como a de Cuba agora está parecendo mais um Projeto Manhattan”, avaliou Robert Litwak, especialista em não-proliferação do Woodrow Wilson Internacional Center for Scholars. / THE WASHINGTON POST

 

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