Coréia do Norte entrega detalhes de programa nuclear à China

Chancelaria sul-coreana afirma que resfriador de reator atômico será destruído na sexta-feira

Efe e Associated Press,

26 de junho de 2008 | 07h33

O ministro de Relações Exteriores sul-coreano, Yu Myung-hwan, confirmou nesta quinta-feira, 26, que a Coréia do Norte entregou a declaração sobre seu estoque nuclear à China. O chanceler afirmou ainda que os norte-coreanos destruirão o resfriador atômico do complexo nuclear de Yongbyon nesta sexta-feira. A diplomacia chinesa confirmou o recebimento do documento.  A confirmação do ministro sul-coreano aconteceu pouco depois de que o governo de Pequim anunciar que a Coréia do Norte tinha previsão de apresentar sua declaração sobre o arsenal nuclear antes do fim do dia. Com a medida, o governo americano pretende remover a Coréia do Norte da lista de países responsáveis pelo terrorismo. A Coréia do Norte tinha se comprometido a apresentar antes do fim do ano passado seu inventário nuclear em um acordo firmado pelas seis partes envolvidas nas negociações para a desnuclearização da península coreana (as duas Coréias, EUA, Rússia, Japão e China).   Pyongyang realizou seu primeiro teste nuclear em outubro de 2006, sem cumprir um compromisso firmado em 2005 para abandonar seu programa atômico. No entanto, em 2007 se comprometeu a desmantelar todas as suas instalações atômicas e a entregar um inventário nuclear. Em troca, começou a receber ajuda energética e a promessa de uma normalização de suas relações com os EUA e a comunidade internacional.  Torre de resfriamento do reator nuclear será destruída nesta sexta-feira. Fotos: Reuters Em Washington, o governo dos Estados Unidos informou que anulará algumas sanções comerciais contra a Coréia do Norte e removerá o país da lista americana de "patrocinadores do terrorismo". A entrega do inventário completo e a destruição da torre são duas etapas importantes do processo de desmantelamento do programa nuclear bélico norte-coreano, estabelecido em um acordo assinado no ano passado em Pequim durante negociações multilaterais envolvendo China, EUA, Japão e Rússia, além das Coréias do Norte e do Sul. Em resposta ao cumprimento das promessas norte-coreanas, os EUA anularão as sanções determinadas pela Lei de Comércio com o Inimigo, informou a secretária de imprensa da Casa Branca, Dana Perino. Ainda de acordo com ela, a Casa Branca notificará o Congresso que pretende, dentro de 45 dias, retirar a Coréia do Norte da lista de "patrocinadores do terrorismo" mantida pelo Departamento de Estado. O ministro sul-coreano definiu a entrega como um "passo-chave" e "um importante ponto de partida" para conseguir avanços reais no desmantelamento nuclear completo de Pyongyang, e manifestou seu desejo de que as relações entre as duas Coréias se encaminhem para a coexistência. "Tenho entendido que esta declaração contém informações imprescindíveis e importantes, como a lista das instalações nucleares e a quantidade de plutônio extraído", disse Yu, que se mostrou confiante em que o estoque seja verificado de forma correta e completa através das negociações multilaterais. O chefe da diplomacia sul-coreana reiterou que Seul acredita que a declaração tem que cobrir todo o conteúdo relacionado às armas nucleares, algo que aparentemente não está incluído nesta primeira fase, segundo os EUA. "Considero lamentável se esta declaração não contiver detalhes sobre armas nucleares, mas contém o plutônio extraído", acrescentou o ministro.  Matéria ampliada às 9h25.

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