Coréia do Norte está no alcance de bombardeiros do EUA

Um esquadrão de bombardeiros pesados de longo alcance chegou à ilha de Guam, território controlado pelos Estados Unidos no Pacífico, como parte de uma advertência dos EUA à Coréia do Norte, após o aumento da tensão entre os dois países, devido à decisão de Pyongyang de reativar um reator nuclear com fins bélicos, informaram as autoridades americanas, acrescentando que nesta quinta-feira mais bombardeiros chegarão à ilha. A Rádio Central norte-coreana, estatal, e a Rádio Pyongyang denunciaram hoje a presença de tais reforços, qualificando-os de preparativo para invadir a nação comunista, segundo a agência noticiosa oficial sul-coreana Yonhap. Enquanto isso, a Rússia e a China pediram a Washington que dialogue diretamente com Pyongyang para aliviar a situação através de meios pacíficos, e se opuseram ao uso da força militar ou meios de pressão similares para dissuadir o último regime stalinista da Ásia de prosseguir com seu programa nuclear. A Chancelaria russa indicou hoje em uma nota que Moscou "constatou com preocupação" que Washington não descarta o uso da força militar para solucionar o problema. A China havia indicado anteriormente que se opõe a qualquer tipo de sanções. "Achamos que (as sanções) só criariam novos problemas ou complicariam a situação", disse o ministro de Relações Exteriores chinês, Tang Jiaxuan. De outro lado, a agência noticiosa oficial norte-coreana KCNA pediu nesta quinta-feira à Coréia do Sul que se una ao país comunista para repelir as tentativas dos EUA de provocar uma guerra na península. "O agudo confronto entre a nação coreana e os EUA na Península Coreana requer com urgência que o Norte e o Sul encarem conjuntamente o desafio americano e continuem o processo de reconciliação e reunificação", acrescentou a agência comunista. Ao mesmo tempo, a Coréia do Norte anunciou que convocará para 26 de março a reunião anual de seu órgão legislativo, a Assembléia Suprema do Povo, segundo a KCNA. A Coréia do Norte não divulgou qual será a agenda do Legislativo.O Pentágono ordenou na sexta-feira passada o envio de 12 aviões B-1 e outros 12 B-52 para Guam, a 3.200 km da Coréia do Norte, como medida preventiva para um eventual conflito na Península Coreana, disse o tenente David Faggard no quartel-general da Força Aérea americana no Havaí. O tenente Tom Wenz, chefe de relações públicas na base aérea de Andersen, em Guam, confirmou a aterrissagem da primeira esquadrilha de bombardeiros. O envio de bombardeiros "tem como propósito mostrar aos países da região que não temos todos os nossos ovos na mesma cesta", disse Faggard, referindo-se ao envio de dezenas de milhares de combatentes para a região do Golfo Pérsico. A tensão com a Coréia do Norte - que vem crescendo desde outubro, quando os EUA disseram que o país comunista admitiu ter retomado seu programa de enriquecimento de urânio com fins bélicos - piorou devido ao incidente do último domingo, em que caças de combate norte-coreanos chegaram a uma distância de 15 metros de um avião de reconhecimento americano RC-135S, sobre o Mar do Japão. "Estas medidas não são de natureza agressiva. São um preparativo para reforçar nossa posição defensiva", disse o porta-voz da base de Andersen, Kim Melchor. Em Seul, o primeiro-ministro sul-coreano Goh Kun pediu nesta quinta-feira que os EUA mantenham sua fortaleza militar na Coréia do Sul, por considerar que os soldados americanos são a primeira "linha de contenção" contra uma provocação da Coréia do Norte.

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