Coreia do Norte exibe ao público o primeiro retrato oficial de Kim Jong-un

Segundo especialistas, pintura é um passo para consolidar a figura do terceiro líder da dinastia norte-coreana, no poder desde 2011

O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2018 | 11h05

SEUL - A Coreia do Norte revelou o que parece ser o primeiro retrato oficial público do líder Kim Jong-un, mais um passo para cimentar sua liderança sobre um regime que tem base no culto à personalidade de militares. Em todas as casas e edifícios do país, é obrigatório que estejam penduradas pinturas dos líderes Kim Il-sung e Kim Jong-il, respectivamente o avô e pai de Kim Jong-un.

A pintura do líder norte-coreano foi vista no domingo 4 no Aeroporto Internacional de Pyongyang, junto ao quadro do presidente cubano, Miguel Días-Canel, como parte da mobilização para receber o mandatário caribenho em visita à Coreia do Norte, mostraram imagens de agências estatais. O retrato mostra Kim sorridente e vestindo terno e gravata.

Anteriormente, já haviam sido divulgadas fotografias de Kim, como, por exemplo, quando recebia em Pyongyang o diretor de Relações Internacionais do Comitê Central do Partido Comunista da China, Song Tao, em abril de 2018. No entanto, até agora, nunca havia sido mostrada ao público uma pintura similar aos dois famosos quadros dos líderes anteriores do país, elaborados pelo Estúdio Artístico de Mansudae em Pyongyang, o principal centro de produção de propaganda norte-coreana.

A apresentação à sociedade desse retrato do atual líder parece indicar um importante passo na consolidação da figura pública do terceiro Kim que lidera o país. Analistas destacam que o regime foi prudente ao exaltar a imagem só agora, já que a juventude dele (chegou ao poder com pouco mais de 30 anos em 2011) poderia ser um fator negativo para um país que venera veteranos de guerra e distintivos militares.

“É a primeira vez que esse retrato aparece em um lugar público”, disse Cho Han-bum, analista do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, um instituto governamental na Coreia do Sul. De acordo com Cho, essa é uma “segunda fase” na liderança de Kim, “que se concentrará na consolidação do culto pessoal de Kim Jong-un”.

Até agora, não foi revelada tampouco nenhuma estátua de Kim, ainda que o regime tenha anunciado no ano passado que levantará um conjunto de esculturas dos três líderes da dinastia no sopé da Montanha Paektu, um vulcão ao nordeste do país asiático. / AFP e EFE 

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