KCNA via REUTERS
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Coreia do Norte exibe em desfile míssil balístico lançado por submarino

Movimento é visto por especialistas como mensagem ao próximo governo dos EUA, liderado por Joe Biden, que tome posse no dia 20

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2021 | 21h35

SEUL - A Coreia do Norte exibiu um míssil balístico lançado por submarino em um desfile militar em Pyongyang nesta sexta-feira (quinta-feira, 14, no Brasil), noticiou a agência oficial KCNA, a poucos dias da posse de Joe Biden nos Estados Unidos.

O regime também aproveitou o desfile para exibir foguetes com "poderosa capacidade de ataque para aniquilar totalmente os inimigos, de forma preventiva, fora do território", acrescentou o órgão oficial.

O desfile celebra o congresso do Partido dos Trabalhadores – o primeiro em cinco anos e o segundo desde 1980. Durante o evento, o líder norte-coreano Kim Jong-un afirmou que os Estados Unidos são "o principal inimigo" do país.

Aviões militares foram vistos soltando fogos de artifício em formação, disse o NK News, um site que monitora a Coreia do Norte. Antes do congresso, imagens de satélite comercial mostraram tropas ensaiando em formação.

Tradicionalmente, a Coreia do Norte dá boas-vindas a novos presidentes dos EUA com testes de mísseis ou bombas nucleares semanas após suas posses. Em 2009, o regime testou Barack Obama com o lançamento de um foguete de longo alcance e um dispositivo nuclear. Em 2017, Donald Trump foi recebido com uma série de testes de mísseis. 

Alguns especialistas acreditam que a Coreia do Norte está aproveitando o congresso do partido no poder para enviar uma mensagem ao próximo governo dos Estados Unidos, com a ideia de obter concessões.

Kim Jong-un e Donald Trump tiveram um relacionamento tumultuado, que foi de insultos e ameaças de guerra à realização de várias cúpulas diplomáticas nas quais o presidente americano elogiou o líder norte-coreano.

Mas, no final, pouco progresso foi feito nas conversas entre os dois países e o processo está paralisado desde o fiasco da última cúpula, realizada em Hanói em fevereiro de 2019, que tropeçou na espinhosa questão de suspender as sanções contra Pyongyang e os compromissos que o regime norte-coreano teria de assumir.

A mudança de governo nos Estados Unidos representa um desafio para a Coreia do Norte, já que Biden costuma ser associado à "paciência estratégica" demonstrada pelo governo Obama. Além disso, o presidente eleito chamou Kim de "valentão" durante os debates presidenciais.

Pyongyang está sob sanções internacionais por seus programas de armas nucleares e mísseis balísticos. /REUTERS e AFP

 

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