Coreia do Norte expulsa inspetores da ONU de usina nuclear

Lacres e câmeras de vigilância em Yongbyon foram removidos antes de especialistas deixarem a instalação

Agências internacionais,

15 de abril de 2009 | 13h07

A Coreia do Norte expulsou os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que trabalhavam na usina nuclear de Yongbyon, revelou nesta quarta-feira, 15, uma fonte diplomática acreditada na entidade subordinada à Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o diplomata, os inspetores da agência nuclear da ONU removeram todos os lacres e desativaram todas as câmeras de vigilância que mantinham em Yongbyon antes de retornarem a Pyongyang, a capital norte-coreana.

 

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A Coreia do Norte também comunicou à AIEA que está reativando seu programa nuclear. A decisão norte-coreana é uma reação à repreensão do Conselho de Segurança (CS) da ONU a um lançamento de foguete realizado por Pyongyang na semana passada. Um dia antes, a Coreia do Norte anunciou que boicotará "para sempre" as negociações multilaterais sobre seu desarmamento e prometeu religar seu reator nuclear em retaliação à resolução do CS da ONU. O Departamento de Estado dos EUA confirmou a saída dos inspetores nucleares americanos.

 

A declaração veio à tona apenas algumas horas depois de os 15 integrantes do CS da ONU terem condenado por unanimidade o disparo de foguete por considerá-lo uma violação a resoluções da ONU e intensificado as sanções contra Pyongyang. A Coreia do Norte afirma ter enviado ao espaço sideral, no último dia 5, um foguete transportando um satélite experimental de telecomunicações. Os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul acusaram Pyongyang de ter promovido um teste ilícito de tecnologia utilizável em mísseis balísticos intercontinentais.

 

O endurecimento de sanções contra o país não deve prejudicar o comércio da Coreia do Norte com sua aliada China, mas a crise global está afetando a isolada nação comunista. A redução do preço das commodities pode ser mais dolorosa para o regime de Pyongyang do que as sanções, que afetarão apenas certas empresas que negociam equipamento militar. "As sanções não terão grande efeito, elas não mudarão suas ações", disse Shi Yinhong, professor de relações internacionais na Universidade Renmin, em Pequim. "Elas não terão impacto no comércio com a China, que é basicamente de grãos e materiais básicos. As sanções terão alguma influência sobre bens de luxo, mas apenas um pequeno impacto sobre o volume total de comércio", acrescentou Shi.

 

O comércio anual da Coreia do Norte com a China é de US$ 2 bilhões, 10% do PIB anual norte-coreano. Repetidamente a China pediu moderação, enquanto Pyongyang preparava o que garantiu ser o lançamento de um foguete para colocar um satélite de comunicações em órbita, mas que, segundo os EUA, Japão e Coreia do Sul, teria sido um míssil de longo alcance. No entanto, Pequim relutou em adotar uma posição mais dura, temendo perder sua influência em Pyongyang e preocupado com os riscos políticos e econômicos em caso de colapso da Coreia do Norte.

 

O comércio entre os dois países sofreu uma redução de 3% nos primeiros dois meses do ano, depois que a queda dos preços dos metais fechou um dos poucos canais de exportação norte-coreana. A Coreia do Norte lucrou nos últimos anos com o elevado preço dos minérios, ampliando sua exportação de zinco, chumbo e ferro para a China. A Coreia do Norte teria depósitos de minérios no valor de US$ 2 trilhões, segundo estimativa da Corporação de Recursos da Coreia do Sul. Mas problemas de infraestrutura e uma rede elétrica defasada dificultam a mineração e a exportação dos minérios.

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