Coreia do Norte faz ameaça e promete 'rever questão nuclear'

Medida seria resposta a misterioso complô de EUA e Coreia do Sul que regime norte-coreano afirma ter desbaratado

SEUL, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2012 | 03h04

A Coreia do Norte anunciou ontem que vai "rever completamente a questão nuclear", ampliando temores de uma nova escalada de tensão na Ásia. A decisão, informou Pyongyang, é uma resposta a um misterioso complô internacional para destruir estátuas do líder supremo Kim Il-sung, morto em 1994. Pyongyang diz ter desbaratado o plano, cujo objetivo seria dar a impressão de que o país passava por distúrbios.

A sabotagem seria levada adiante por um dissidente que, após fugir para a Coreia do Sul, teria retornado ao país. Segundo a imprensa norte-coreana, Jon Yong "confessou" que estava "a soldo da Coreia do Sul e dos EUA", conforme garantiu ontem a TV oficial do país. Jon concedeu uma longa entrevista à emissora, na qual detalhou os planos para minar o regime de Pyongyang.

Potência nuclear desde 2006, a Coreia do Norte é o país mais fechado do mundo a jornalistas e autoridades estrangeiras. As poucas informações que chegam da vida dos norte-coreanos vêm por dissidentes que conseguem escapar ou por satélites de espionagem.

O anúncio de ontem soma-se a uma séria de medidas que o jovem líder supremo Kim Jong-un, no poder há pouco mais de seis meses, vêm tomando para consolidar o poder. Seu pai, Kim Jong-il, morreu em dezembro e, dias depois, o jovem de 28 anos assumiu o comando total da Coreia do Norte.

No início do ano, a Pyongyang lançou um foguete - que, segundo as Nações Unidas, faz parte do programa nuclear militar do país - com inédita fanfarra, incluindo a rara presença de jornalistas estrangeiros. O projétil, porém, caiu no mar.

Esta semana, a TV norte-coreana anunciou uma mudança em um dos mais altos cargos da hierarquia militar de Pyongyang, o de chefe do Estado-maior das Forças Armadas. A emissora também exibiu imagens até então proibidas de garotas de minissaia e de Mickey Mouse, indicando que Kim, que estudou na Suíça, estaria disposto a mudar os hábitos culturais do país. / REUTERS e AP

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