Coreia do Norte faz teste nuclear e EUA pressionam ONU por resposta 'rápida'

A Coreia do Norte anunciou ontem que realizou seu terceiro teste nuclear, com a detonação de uma bomba mais leve, menor e mais potente que as usadas em 2006 e 2009. O Conselho de Segurança da ONU condenou o teste, que aproximou o país da possibilidade de disparar mísseis atômicos contra alvos específicos. Os EUA usaram um tom de cobrança mais forte que o habitual ao pedir uma resposta "rápida" e considerar o teste "uma ameaça à segurança americana".

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2013 | 02h00

O Conselho de Segurança iniciou as negociações para aprovar mais uma resolução com penalidades ao país asiático. No texto da declaração de ontem, aprovada por unanimidade pelo órgão, os 15 países membros reafirmaram que os norte-coreanos desrespeitaram três resoluções anteriores, incluindo a 2087, votada no mês passado. Mesmo a China, que possui poder de veto e costuma proteger seus vizinhos, não impôs obstáculos à declaração.

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, afirmou que "o regime norte-coreano apenas aumentará o seu isolamento ao levar adiante este programa nuclear". O secretário de Defesa que está deixando o cargo, Leon Panetta, considerou a ação "uma séria ameaça ao EUA".

O teste foi o primeiro conduzido sob o comando de Kim Jong-un, o líder de 30 anos que chegou ao poder da potência nuclear há pouco mais de um ano, depois da morte de seu pai Kim Jong-il. O gesto desafiador evidenciou mais uma vez que o novo representante da dinastia Kim está determinado a manter a política que coloca em primeiro lugar os investimentos militares do país, na qual o desenvolvimento da tecnologia de armas nucleares ocupa papel central.

Principal aliada de Pyongyang, a China declarou que se opõe "firmemente" ao teste e pediu ao país vizinho que não realize ações capazes de piorar a situação na região. Autoridades sul-coreanas afirmaram que a explosão representa uma "ameaça inaceitável" para a região. Japão e Rússia também condenaram a detonação subterrânea, realizada às 11h57 (horário local) e causa de um tremor de 4,9 graus na escala Richter.

Os EUA e os demais integrantes do Conselho de Segurança ampliaram as sanções contra a Coreia do Norte em dezembro, depois de o país ter feito o que consideraram como um teste disfarçado de míssil balístico de longo alcance.

A Coreia do Norte afirmou que o teste foi um ato de "autodefesa" contra os EUA, seu adversário na Guerra da Coreia (1950-53), com o qual continua tecnicamente em conflito armado - o confronto chegou ao fim com um armistício e não um acordo de paz. O governo de Kim Jong-un sustenta que o foguete lançado em dezembro teve o objetivo de colocar um satélite em órbita, em uma ação bem sucedida depois do fracasso de tentativa semelhante em abril. A tecnologia usada para transportar satélites pode ser aplicada no disparo de bombas atômicas.

A explosão de ontem ocorreu poucas horas antes de o presidente Barack Obama apresentar ao Congresso norte-americano o Estado da União, o discurso no qual faz um balanço do último ano e apresenta as prioridades legislativas para o próximo (mais informações na página A7). No caso da Coreia do Norte, as datas para eventos como os de ontem nunca são aleatórias e sempre carregam significado político.

O presidente americano classificou o teste de "altamente provocativo" e observou que ele pode afetar a estabilidade regional. "O perigo representado pelas atividades ameaçadoras da Coreia do Norte demanda da comunidade internacional ações imediatas e dignas de crédito", disse Obama em nota. O presidente americano disse que o país asiático está "se isolando e empobrecendo seu povo em seu anseio de ter armas de destruição em massa".

Tanto o lançamento do foguete em dezembro quanto o teste de ontem parecem ter aproximado Pyongyang de seu objetivo de dominar a tecnologia para disparo de armas nucleares contra alvos predeterminados.

Os testes nucleares e o lançamento de foguetes de longo alcance já levaram o Conselho de Segurança a aplicar uma série de sanções econômicas, comerciais e financeiras contra a Coreia do Norte. Ampliadas a cada gesto de Pyongyang em desafio à comunidade internacional, as resoluções proíbem a exportação e importação de material bélico e autorizam países membros da ONU a inspecionar cargas que tenham destino ou sejam oriundas da Coreia do Norte. Também congelam ativos no exterior de algumas autoridades e proíbem a exportação de artigos de luxo ao país. / COLABOROU GUSTAVO CHACRA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.