Ng Han Guan/AP
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Coreia do Norte injeta combustível no foguete que colocará satélite em órbita

Rádios de todo o mundo poderão captar sinais do satélite e escutar transmissões das canções de Kim Il-sung e Kim Jong-il

Cláudia Trevisan/ ENVIADA ESPECIAL/ PYONGYANG,

11 de abril de 2012 | 08h23

PYONGYANG - A Coreia do Norte começou ontem a injetar combustível no foguete que colocará um satélite seu órbita em algum momento entre os dias 12 e 16, apesar da oposição da comunidade internacional, que vê no evento uma violação de resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

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O satélite será lançado na direção sul e circundará a Terra em uma rota que passa pelo pólos. Paek Chang-ho, diretor do centro de controle de satélite do Comitê de Tecnologia Espacial, disse que rádios amadores de todo o mundo poderão captar sinais do satélite e escutar transmissões das canções de Kim Il-sung e Kim Jong-il. O primeiro é o fundador do país e governou até sua morte, em 1994, quando foi sucedido por seu filho, Kim Jong-il, que morreu em dezembro.

O governo norte-coreano abriu o centro de controle para cerca de 100 jornalistas estrangeiros, na continuidade da campanha de relações públicas pela qual tenta convencer seus críticos de que o satélite faz parte de um programa espacial pacífico.

Paek respondeu perguntas por uma hora e fez questão de falar com as redes norte-americanas CNN e NBC.

James Oberg, especialista espacial norte-americano, disse estar convencido de que o lançamento não tem caráter militar. Segundo ele, tudo indica que os norte-coreanos pretendem disparar o foguete para colocar um satélite em órbita e não realizar um teste disfarçado com míssil balístico.

Mas mesmo que tenha caráter civil, o lançamento pode violar a Resolução 1874, adotada pelo Conselho de Segurança em 2009. O texto exige que a Coreia do Norte não realize testes nucleares nem disparos que usem tecnologia de mísseis balísticos. Os dois primeiros estágios do foguete Unha-3 têm origem no míssil Taepodong-2, testado em 2006.

A Coreia do Norte afirma que o Conselho de Segurança da ONU não pode impedir o país de exercer seu direito ao desenvolvimento pacífico do espaço. Segundo o governo de Pyongyang, o lançamento do satélite será importante para o desenvolvimento econômico e social do país, na medida em que permitirá a identificação de recursos naturais, o monitoramento de colheitas e o acompanhamento do impacto de desastres naturais.

O satélite também tem forte significado político e foi programado para coincidir com o centenário de nascimento de Kim Il-sung, que será celebrado no dia 15. Se o lançamento for bem sucedido, ele ajudará a fortalecer o regime e a unidade em torno de Kim Jong-un, o jovem de 29 anos que assumiu o comando da potencia militar em dezembro, depois da morte de seu pai, Kim Jong-il.

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