Coreia do Norte lança quatro mísseis de curto alcance, diz Seul

Pyongyang dispara projéteis no Mar do Japão; Tóquio alertou para exercícios militares norte-coreanos em julho

02 de julho de 2009 | 07h27

A Coreia do Norte lançou nesta quinta-feira, 3, quatro mísseis aparentemente de curto alcance terra-mar da costa oriental do país, em direção ao Mar do Japão, informou o Ministério da Defesa sul-coreano, citado pela agência Yonhap. 

 

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O primeiro dos projéteis foi lançado às 17h20 locais (5h20 de Brasília), enquanto o segundo foi disparado às 18h locais (6h da capital brasileira). O terceiro foi lançado horas mais tarde, às 19h50 (7h50 no Brasil), e o quarto projétil às 21h20 (9h50 de Brasília). Os mísseis terra-mar lançados foram disparados de plataformas próximas da cidade norte-coreana de Wonsan, disse em Seul uma fonte no Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Coreia do Sul.

 

Citando uma autoridade militar sob anonimato, a agência Yonhap afirmou que os quatro mísseis percorreram uma distância de cerca de 100 quilômetros. Os projéteis foram identificados como mísseis KN-01, com alcance de cerca de 160 quilômetros.

 

Observadores de outros países aguardavam a realização de novos testes de mísseis pela Coreia do Norte desde o mês passado, quando o governo do país comunista advertiu a embarcações que evitassem diversas áreas do Mar do Japão onde poderiam ocorrer manobras militares até 10 de julho.

 

Os serviços da Inteligência da Coreia do Sul já tinham informado no mês passado que o regime comunista estava se preparando para o teste de vários mísseis, incluindo de longo alcance. Analistas militares e de inteligência em Seul e Washington têm buscado indícios de que Pyongyang venha a promover novamente um míssil de longo alcance, mas não acreditam que seja algo iminente.

 

O Japão condenou rapidamente o lançamento de mísseis. O país integra um grupo de seis nações que mantêm negociações com os norte-coreanos para pôr fim a seu programa nuclear, atualmente suspensas. "Já vínhamos alertando que tal ato de provocação não é benéfico para o interesse nacional da Coreia do Norte", disse o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, segundo a agência local de notícias Kyodo.

 

A Coreia do Norte possui cerca de 600 mísseis de curto alcance, 300 projéteis de médio alcance e promove diversos testes todos os anos. Este ano, porém, os testes passaram a atrair mais atenção porque Pyongyang testou em abril um míssil de longo alcance pela terceira vez na história e, em maio, promoveu seu segundo teste nuclear. O regime também reduziu atividades diplomáticas com outros países, expulsou agentes humanitários estrangeiros e passou a reprimir atividades econômicas vistas como ameaça a sua autoridade.

 

Autoridades da Coreia do Sul dizem que as recentes ações militares da Coreia do Norte, que também incluem testes de mísseis e ameaças em atacar o Sul, visam provavelmente angariar apoio interno ao líder Kim Jong-il, de 67 anos, enquanto ele prepara o terreno para seu filho mais novo tomar a frente da única dinastia comunista da Ásia.

 

O governo norte-americano informou esta semana que reforçou seu controle sobre empresas ligadas ao lucrativo negócio de proliferação de mísseis desenvolvido pela Coreia do Norte - uma grande fonte de renda para esse país empobrecido. Os Estados Unidos também enviaram à Ásia, para conversações, seu encarregado dos assuntos relacionados a sanções.

 

A China informou nesta quinta-feira que está mandando seu enviado para os quatro países que integram o grupo de negociações sobre o programa nuclear norte-coreano, do qual também fazem parte a Coreia do Sul, Japão, EUA, Rússia. O outro membro, a própria Coreia do Norte, não está no itinerário do representante chinês. "A China tem consistentemente defendido o diálogo e a consulta, e a obtenção da desnuclearização da península coreana por meio do processo de conversações do grupo de seis países", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Qin Gang, falando a jornalistas.

 

Texto atualizado às 12h10.

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