Coreia do Norte liberta prisioneiro americano

Jeffrey Fowle era mantido sob custódia desde maio por supostamente deixar uma Bíblia em uma boate; dois americanos continuam presos no país

WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2014 | 02h01

Os Estados Unidos anunciaram ontem que a Coreia do Norte libertou Jeffrey Fowle, americano mantido sob custódia de Pyongyang há quase seis meses. Segundo o Departamento de Estado, outros dois americanos julgados e condenados pela Justiça norte-coreana continuam presos.

Fowle, de 56 anos, aguardava julgamento por supostamente ter deixado uma Bíblia em uma boate na cidade de Chongjin, em maio. Ele deixou o aeroporto internacional de Pyongyang em um avião do governo americano, de acordo com a agência Associated Press, e se dirigia ontem para seu Estado natal, Ohio. O governo sueco ajudou nas negociações.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que a libertação foi uma "decisão positiva" da Coreia do Norte, mas pediu que o país soltasse os outros dois americanos: Kenneth Bae e Matthew Miller. "Os EUA continuarão trabalhando continuamente por eles", afirmou Earnest.

O porta-voz explicou que o Departamento de Defesa providenciou um avião para Fowle em uma data especificada pela Coreia do Norte, confirmando que a Suécia colaborou no processo, já que os EUA não mantêm relações diplomáticas com Pyongyang.

A vice-porta-voz do Departamento de Estado, Marie Harf, disse que Fowle estava ontem a caminho para encontrar com sua família.

"Saudamos a decisão da DPRK de libertá-lo", afirmou, em comunicado, usando a abreviação, em inglês, para República Democrática Popular da Coreia. Sem dar mais detalhes, Harf agradeceu a ajuda da embaixada sueca em Pyongyang.

Washington vinha, repetidamente, tentando mandar um representante de alto nível do governo para a Coreia do Norte para negociar a libertação dos três. Pyongyang, no entanto, recusava a recebê-lo, como afirmou o encarregado especial americano para questões de direitos humanos para a Coreia do Norte.

Os três americanos entraram em território norte-coreano separadamente. Em entrevistas à agência Associated Press, no mês passado, todos os três disseram acreditar que a única solução para a situação deles era a ida de um representante americano para a Coreia do Norte para conversações diretas.

Fowle chegou à Coreia do Norte no dia 29 de abril e foi preso no mês seguinte por supostamente "deixar uma Bíblia em uma boate". A evangelização cristã é considerada crime na Coreia do Norte.

Fowle trabalha como um operador de equipamentos da cidade de Moraine, em Ohio. Sua mulher, russa, escreveu várias cartas de apelo por sua libertação ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O californiano Matthew Miller, de 24 anos, foi preso em abril e sentenciado a 6 anos de trabalhos forçados sob a acusação de entrar ilegalmente no país para fazer espionagem, segundo a agência estatal norte-coreana KCNA.

Kenneth Bae, um pastor evangélico, está preso no país asiático desde 2012 e cumpre uma pena de 15 anos por "atos de hostilidade". / EFE e NYT

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