Coreia do Norte louva feitos militares de Kim Jong-il

A Coreia do Norte louvou nesta quinta-feira os avanços militares promovidos pelo falecido líder Kim Jong-il, sinalizando que seu filho e sucessor, Kim Jong-un, deve manter as mesmas políticas, que empobreceram o país, mas deixaram-no perto de desenvolver um arsenal nuclear.

REUTERS

29 de dezembro de 2011 | 08h51

Cerca de 100 mil pessoas - incluindo soldados fardados e civis com a cabeça descoberta, apesar do frio de -10ºC - reuniram-se em silêncio na capital, Pyongyang, para lamentar a morte de Kim, que governou a Coreia do Norte por 17 anos, até sofrer um infarto em 17 de dezembro.

Kim Jong-un se tornará, antes de completar 30 anos, o terceiro membro da família a governar a Coreia do Norte, que foi fundada em 1948 por seu avô, Kim Il-sung. Ele assumiu a posição central no palco da praça Kim Il-sung para ouvir tributos ao "grande revolucionário" Kim Jong-il.

Kim Yong-nam, presidente do Parlamento, disse, por exemplo, que "o Grande Líder Kim Jong-il (...) lançou as bases para que nosso povo sobreviva como um povo autônomo de uma potência militar de primeira linha, e um orgulhoso Estado nuclear".

A Coreia do Norte já realizou dois testes com armas atômicas, e especialistas dizem que o país está prestes a ter ogivas nucleares em condições operacionais, o que poderia abalar a estabilidade do leste da Ásia, mas daria a Pyongyang uma ferramenta para barganhar ajuda econômica internacional.

A TV estatal norte-coreana mostrou o jovem Kim ladeado à direita pelo chefe das Forças Armadas, general Ri Yong-ho, na sacada da Grande Casa de Estudos Populares. Perto dele estavam também o ministro da Defesa, Kim Yong-chun, e um tio do novo líder, Jang Song-thaek, visto como uma espécie de "regente" durante a transição.

Solene e fazendo caretas, Kim - supostamente prestes a completar 28 anos - manteve-se de pé, durante a cerimônia. Ele só despontou como sucessor do regime comunista no ano passado, quando assumiu cargos partidários e militares de alto escalão.

"O camarada Kim Jong-un é o mais graduado líder do partido e do povo a assumir a filosofia e a liderança do Grande Líder Kim Jong-il, sua personalidade e sua moral, sua coragem e sua audácia", disse Kim Yong-nam.

Ao final da cerimônia, a multidão - que se espalhava por ambas as margens do rio Taedong - baixou a cabeça. Barcos e trens estacionados nas redondezas soaram suas buzinas durante três minutos em homenagem ao líder morto.

Os panegíricos foram escassos em elogios sobre feitos econômicos de um dirigente que usava a política do "Songun" ("os militares em primeiro lugar") para ter recursos para fortalecer o arsenal convencional e desenvolver armas de destruição em massa.

O PIB norte-coreano é hoje menor do que na década de 1990, quando o país era governado por Kim Il-sung. Problemas climáticos, a má gestão econômica e sanções internacionais devido aos testes nucleares e com mísseis fizeram com que a Coreia do Norte mergulhasse em uma profunda crise econômica, fazendo com que milhares de cidadãos morressem de fome, especialmente na década de 1990.

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