Coreia do Norte mantém tom hostil em relação a Seul

Nota do comando militar, lida na TV estatal de Pyongyang, desfaz expectativa de distensão após posse de novo líder

PYONGYANG, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2011 | 03h06

A Coreia do Norte manteve o tom hostil em relação a seus adversários históricos - Coreia do Sul e EUA - no primeiro contato de seus representantes com o exterior desde a morte do líder Kim Jong-il. Numa nota da Comissão Nacional de Defesa lida ontem na TV estatal, o regime anunciou que manterá sua "posição combativa" em relação a Seul e qualificou os líderes do país vizinho de "tolos".

"Nesta ocasião, declaramos solenemente a confiança de que os políticos tolos ao redor do mundo, incluindo as forças fantoches na Coreia do Sul, não devem esperar nenhuma mudança da nossa parte", dizia a nota. A retórica dá uma amostra da linha política a ser seguida pelo novo líder supremo do país, Kim Jong-un, filho do ditador Kim Jong-il, morto no dia 17.

Abandonando os trajes negros usados desde o anúncio da morte de Kim Jong-il, a locutora da TV vestia vermelho e praticamente berrava a mensagem da comissão militar, a instância mais poderosa do militarizado e miserável Estado.

A Coreia do Norte está habituada a dirigir frases hostis à Coreia do Sul, ameaçando, por exemplo, transformar Seul em um "mar de fogo". A animosidade Pyongyang é especialmente forte contra o governo conservador sul-coreano de Lee Myung-bak, que assumiu o poder em 2008 e encerrou a política de aproximação com o Norte. "Nunca vamos nos envolver com o governo de Lee Myung-bak", disse a locutora. "O mar de lágrimas sangrentas dos nossos militares e do nosso povo perseguirão o regime fantoche até o final."

As duas Coreias travaram uma guerra entre 1950-1953. Tecnicamente, o conflito se mantém, uma vez que as duas partes chegaram apenas a um cessar-fogo e um acordo de paz definitivo jamais foi firmado.

Em 2010, os dois países estiveram próximos de um confronto, em razão do naufrágio de um navio sul-coreano, sobre o qual a Coreia do Norte se eximiu da responsabilidade, e de disparos norte-coreanos contra uma ilha do Sul, no primeiro incidente com mortos civis desde o fim da guerra. O governo sul-coreano não reagiu formalmente às declarações. / EFE

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